
Vocalista gravou músicas para tentar substituir Max Cavalera em 1997, mas Derrick Green já havia sido escolhido
Chuck Billy voltou a falar sobre o teste que fez para assumir os vocais do Sepultura após a saída de Max Cavalera, em dezembro de 1996. Em entrevista ao podcast Mostly Yelling, apresentado por Greg Kennelty, o cantor do Testament contou que enviou sua gravação quando os brasileiros já haviam escolhido Derrick Green para o posto.
“Acredito muito que as coisas acontecem por uma razão, e eu me atrasei. Enviei minha demo tarde demais. Achei que tinha feito um bom trabalho. Eles gostaram, mas também disseram: ‘Obrigado por mandar, mas já escolhemos o Derrick’”, afirmou Billy, em declaração transcrita pelo Blabbermouth.
A tentativa aconteceu em um período de incertezas para o Testament. A banda havia encerrado seu contrato com a Atlantic Records e passava por mudanças de formação, enquanto preparava o material de “Demonic”, lançado em 1997. Nesse cenário, o vocalista considerou a possibilidade de seguir a carreira em outro grupo.
“Talvez eu estivesse procurando algo mais estável. Estávamos nos desestruturando, perdendo os integrantes originais. A cena estava mudando. Talvez eu procurasse algo estabelecido, que tivesse futuro e de que eu gostasse. Então tentei”, explicou.
O que Chuck Billy gravou para o teste
Em entrevista ao Eonmusic, em 2016, Billy contou que tomou a decisão de participar já no fim do processo de seleção. Segundo ele, a gravação reuniu três músicas: “Refuse/Resist”, “Territory” e uma versão própria de “Choke”, composição que posteriormente integraria “Against” (1998), álbum de estreia de Derrick Green no Sepultura.
“Pensei: ‘Talvez eu devesse procurar uma banda sólida, que continuasse fazendo turnês e seguindo em frente’. Naquele momento, o Sepultura estava fazendo testes”, disse na ocasião.
O cantor também reconheceu que não sabia exatamente como reagiria se recebesse o convite. Acostumado à sua trajetória no Testament, Billy afirmou que gravou as músicas por impulso e que provavelmente precisaria refletir antes de aceitar uma mudança definitiva.
Andreas Kisser queria alguém que trouxesse novas ideias
Andreas Kisser comentou a participação de Billy durante uma entrevista ao The Jasta Show, em 2015. O guitarrista explicou que o Sepultura enviava uma versão instrumental de “Choke” aos candidatos para avaliar o que cada um poderia acrescentar ao material.
“Não queríamos que ninguém cantasse ‘Roots Bloody Roots’ ou ‘Refuse/Resist’, porque não queríamos um clone. Queríamos alguém que trouxesse novas ideias, que levasse o Sepultura para um caminho diferente”, afirmou.
Kisser elogiou a gravação de Billy, destacando o uso de vocais mais guturais. Também lembrou uma apresentação em que dividiu o palco com o cantor para tocar músicas do Sepultura, em uma reunião do Metal Allegiance durante a NAMM, em Los Angeles.
Ainda assim, a identidade já consolidada do vocalista pesou na avaliação. “Ele fez um ótimo trabalho. Mas ele é Chuck Billy, ele é Testament. Queríamos alguém novo”, explicou o guitarrista.
A permanência no Testament
Ao avaliar o episódio, Billy disse estar satisfeito com o rumo que sua carreira tomou. Para ele, a entrada no Sepultura teria alterado a trajetória do Testament e poderia ter impedido a realização de trabalhos posteriores, como “The Gathering” (1999), além da reunião da formação clássica.
“Eu estava destinado a me atrasar e não conseguir a vaga, porque todas essas músicas do Testament não teriam sido feitas anos depois”, afirmou ao Mostly Yelling.
O cantor também mencionou o diagnóstico de câncer que recebeu em 2001 e como o tratamento teria ocorrido em circunstâncias diferentes caso estivesse em outra banda.
A entrevista antecede o lançamento de sua autobiografia, “Holding My Breath: The Two Testaments of Chuck Billy”, previsto para 10 de novembro de 2026 pela Permuted Press. Escrito com Dave Erickson, o livro tem prefácio de Rob Halford, do Judas Priest, e posfácio de Randy Blythe, do Lamb of God. A obra aborda a trajetória no thrash metal da região de São Francisco, o tratamento contra o câncer e suas origens indígenas e mexicano-americanas.









