Artigo: Sepultura irá encerrar suas atividades nos palcos, mas sua arte continuará viva; veja quais são os discos e as músicas essenciais em nossa opinião

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Por Thiago Rahal Mauro

Apresentações nesta quinta-feira (5) e sábado (7) concluem a turnê de despedida; relembre discos e músicas essenciais dos mais de 40 anos da banda

O Sepultura encerra sua trajetória nesta semana com duas apresentações em São Paulo. Na quinta-feira, 5 de novembro, o grupo apresenta o show especial “The Last Ceremony”, no Cine Joia. No sábado, dia 7, sobe ao palco da Suhai Music Hall para a última apresentação da carreira, concluindo a turnê “Celebrating Life Through Death”.

A despedida reúne Andreas Kisser na guitarra, Derrick Green no vocal, Paulo Xisto no baixo e Greyson Nekrutman na bateria. O músico americano assumiu o posto em 2024, após a saída de Eloy Casagrande, e participou da turnê que levou o grupo a revisitar diferentes períodos de sua discografia. billboard.com.br

Anunciado no fim de 2023, o encerramento das atividades foi planejado como uma decisão dos integrantes. A turnê começou em 2024, ano em que o Sepultura completou quatro décadas, e acabou se estendendo até 2026. Nesse período, a banda também lançou material inédito: o EP “The Cloud of Unknowing”, disponibilizado em 24 de abril pela Nuclear Blast, reúne quatro músicas e registra a formação com Nekrutman em estúdio.

Duas apresentações com propostas diferentes

No Cine Joia, a proposta de “The Last Ceremony” é recuperar a proximidade com o público em uma casa de menor capacidade. O repertório foi preparado especialmente para a ocasião, com momentos exclusivos anunciados para a apresentação.

Já a despedida de sábado terá uma programação que inclui Krisiun, Sacred Reich e Metal Allegiance. Jairo Guedz e Jean Dolabella, que integraram o Sepultura em diferentes fases, estão entre os convidados confirmados. Inicialmente marcado para a Mercado Livre Arena Pacaembu, o evento foi transferido para a Suhai Music Hall, com manutenção da validade dos ingressos e regras de realocação por setor.

De Belo Horizonte à circulação internacional

Formado em 1984, em Belo Horizonte, o Sepultura construiu uma trajetória que acompanhou mudanças importantes na música pesada. As gravações iniciais estavam ligadas ao metal extremo do circuito independente brasileiro. Nos trabalhos seguintes, o grupo ampliou a precisão instrumental, incorporou outras referências rítmicas e conquistou espaço fora do país. “Beneath the Remains”, de 1989, foi decisivo nessa expansão internacional.

A discografia permite acompanhar essas transformações: da velocidade de “Arise” ao peso cadenciado de “Chaos A.D.”, passando pela percussão de “Roots” e pelos arranjos de “Machine Messiah” e “Quadra”. Para percorrer essa história, a seleção abaixo reúne discos de diferentes formações e sugestões de músicas para ouvir antes da despedida.

Discos essenciais para conhecer o Sepultura

“Schizophrenia” (1987)
Marca a chegada de Andreas Kisser e apresenta uma evolução na construção dos riffs e das passagens instrumentais. A agressividade das gravações anteriores permanece, agora acompanhada por estruturas mais elaboradas.
Para ouvir: “From the Past Comes the Storms”, “Escape to the Void” e a instrumental “Inquisition Symphony”.

“Beneath the Remains” (1989)
É um ponto central para compreender a projeção internacional da banda. A combinação de velocidade, mudanças de andamento e riffs encadeados estabelece uma referência para a fase de thrash metal do quarteto.
Para ouvir: “Beneath the Remains”, “Inner Self” e “Mass Hypnosis”.

“Arise” (1991)
Aprofunda a linguagem do álbum anterior, com execução precisa e espaço para atmosferas e introduções que ampliam o alcance das composições. É uma escolha direta para quem procura o Sepultura em sua fase mais associada ao thrash.
Para ouvir: “Arise”, “Dead Embryonic Cells” e “Desperate Cry”.

“Chaos A.D.” (1993)
Coloca os ritmos cadenciados, a percussão e as críticas sociais no centro das composições. A velocidade deixa de ser o principal recurso de impacto, enquanto músicas como “Refuse/Resist” e “Territory” mostram outra maneira de organizar o peso.
Para ouvir: “Refuse/Resist”, “Territory”, “Slave New World” e “Kaiowas”.

“Roots” (1996)
Amplia a presença de percussão e de referências brasileiras, incluindo a colaboração com os Xavante. As guitarras mais graves e os padrões rítmicos repetitivos dão ao álbum uma identidade diferente dos trabalhos anteriores.
Para ouvir: “Roots Bloody Roots”, “Attitude”, “Ratamahatta” e “Itsári”.

“Against” (1998)
Marca a estreia de Derrick Green nos vocais após a saída de Max Cavalera. O álbum mantém a presença da percussão e incorpora elementos de hardcore, com participações de Jason Newsted em “Hatred Aside” e do grupo japonês de taiko Kodo em “Kamaitachi”.
Para ouvir: “Against”, “Choke”, “Rumors” e “Kamaitachi”.

“Roorback” (2003)
Produzido por Steve Evetts, reúne músicas que aproximam o thrash metal do hardcore, com riffs diretos e mudanças de andamento. O trabalho também inclui a versão de “Bullet the Blue Sky”, do U2, cujo videoclipe teve circulação na televisão e ajudou a divulgar o disco.
Para ouvir: “Come Back Alive”, “Godless”, “Apes of God” e “Mind War”.

“Dante XXI” (2006)
Inspirado em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, organiza o repertório em torno de uma narrativa conceitual. É uma entrada importante para a fase com Derrick Green, com faixas curtas, passagens instrumentais e contrastes entre velocidade e ambientação.
Para ouvir: “Dark Wood of Error”, “Convicted in Life” e “Ostia”.

“Kairos” (2011)
Produzido por Roy Z, o álbum apresenta composições mais diretas, com riffs marcados e referências ao thrash e ao hardcore. É o último trabalho de estúdio com Jean Dolabella na bateria e traz versões de “Just One Fix”, do Ministry, e “Firestarter”, do The Prodigy.
Para ouvir: “Kairos”, “Relentless”, “Dialog” e “Mask”.

“Machine Messiah” (2017)
Explora diferentes timbres, melodias e soluções instrumentais, com produção de Jens Bogren. Ajuda a compreender como o grupo continuou ampliando sua linguagem décadas depois dos discos que o tornaram conhecido.
Para ouvir: “Machine Messiah”, “Phantom Self” e “Sworn Oath”.

“Quadra” (2020)
Reúne velocidade, percussão, passagens técnicas e momentos melódicos em um repertório dividido em quatro partes. Com Eloy Casagrande na bateria, funciona como uma síntese das possibilidades musicais exploradas pelo Sepultura em sua fase final.
Para ouvir: “Isolation”, “Last Time”, “Guardians of Earth” e “Agony of Defeat”.

Serviço — Sepultura em São Paulo

“The Last Ceremony” — Cine Joia
Data: 5 de novembro de 2026, quinta-feira
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 — Liberdade, São Paulo
Abertura da casa: 19h
Ingressos anunciados: R$ 200 (meia-entrada) e R$ 400 (inteira), sujeitos à disponibilidade e às taxas
Vendas: https://shotgun.live/pt-br/events/sepulturanocinejoia
Classificação: 18 anos.

Último show — Suhai Music Hall
Data: 7 de novembro de 2026, sábado
Local: Suhai Music Hall — Shopping SP Market
Endereço: Avenida das Nações Unidas, 22.540 — Jurubatuba, São Paulo
Abertura dos portões: 16h
Horário anunciado para o Sepultura: 21h
Outras atrações: Krisiun, Sacred Reich e Metal Allegiance
Ingressos: esgotados
Classificação: 16 anos. Crianças e adolescentes de 5 a 15 anos podem entrar acompanhados dos pais ou responsáveis legais

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