
Baterista fala sobre sua despedida das turnês, relembra apoio dos colegas e manifesta vontade de gravar duas ou três músicas em um próximo álbum
Nicko McBrain acredita que o Iron Maiden seguirá em atividade até que outro integrante reconheça que não consegue mais continuar. Em entrevista ao podcast Rockonteurs, apresentado por Gary Kemp e Guy Pratt, o baterista comentou o futuro da banda e revisitou a decisão de deixar as turnês, anunciada antes de sua última apresentação com o grupo, em 7 de dezembro de 2024, no Allianz Parque, em São Paulo.
“Pessoalmente, acho que eles vão continuar até alguém da banda dizer: ‘Não consigo mais’. E, neste momento, não consigo imaginar isso acontecendo”, afirmou, segundo transcrição publicada pelo Blabbermouth.
Ao avaliar as apresentações recentes do Maiden, Nicko observou que algumas músicas estão sendo executadas em andamentos mais próximos dos registros originais. Para ele, essa escolha pode ajudar o grupo a permanecer na estrada.
“Tenho que admitir que alguns dos andamentos estão mais próximos de como eram quando as músicas foram gravadas, tantos anos atrás. Não estou dizendo que eles estão desacelerando, mas que estão tentando fazer isso de uma forma que permita continuar por mais tempo. Todos estão ficando mais velhos”, comentou.
Aos 74 anos, McBrain também falou sobre o apoio que recebeu dos colegas durante as duas etapas da turnê The Future Past, em 2023 e 2024. O baterista reconheceu que já não conseguia executar determinadas passagens como gostaria, incluindo a introdução de “The Trooper” e trechos de “Caught Somewhere in Time”.
“Eu não estava tocando tão bem quanto poderia ou deveria, porque não conseguia tocar essas partes, aquelas viradas maravilhosas que vinha fazendo havia 42 anos. Mas os caras me apoiaram completamente”, declarou.
Nicko estendeu o agradecimento aos empresários Rod Smallwood e Andy Taylor, a Dave Shack e aos demais profissionais do escritório da banda. Segundo ele, todos deram respaldo à sua permanência nos shows, mesmo diante das limitações.
“Ter todos os meus irmãos me apoiando e me dando duas turnês, dizendo ‘Tudo bem, vamos em frente’, resume a camaradagem no Maiden. Ter esse relacionamento com a banda e com seus companheiros por tanto tempo diz muito sobre a energia e o amor que tinham por mim.”
Deixar as turnês às vésperas das comemorações dos 50 anos do Iron Maiden foi uma das partes mais difíceis da decisão.
“Pessoalmente, foi difícil dizer: ‘Vou sair’, sabendo que no ano seguinte celebraríamos 50 anos. Foi difícil abrir mão disso”, afirmou.
Seu lugar na bateria foi assumido por Simon Dawson, que também toca com Steve Harris no British Lion. Embora tenha encerrado a participação regular nos palcos, McBrain gostaria de voltar a gravar com o Maiden como convidado.
“Gostaria de fazer algumas músicas. Não gravaria o álbum inteiro. Não acho que conseguiria tocar as músicas da maneira que elas exigem”, disse, ao mencionar as composições de Harris, Bruce Dickinson, Adrian Smith e Janick Gers.
“Simon está tocando agora e assumiu meu lugar na bateria. Então, esperaria que ele gravasse o álbum, e eu gostaria de participar de duas ou três músicas. Seria ótimo.”
Nicko também levantou a possibilidade de a banda encontrar espaço para um novo disco depois dos próximos compromissos de turnê, mas ressaltou que isso dependeria de uma decisão dos músicos. Nenhum projeto de gravação foi anunciado na entrevista.
O baterista promove a autobiografia Hello Boys And Girls!, publicada em 22 de outubro pela Harper Nonfiction. No dia 26, iniciou em Frankfurt uma série de apresentações em teatros para contar histórias de sua vida e carreira, com passagens por países como Alemanha, Holanda, Irlanda e Reino Unido.
Integrante do Iron Maiden desde dezembro de 1982, McBrain estreou em Piece of Mind, de 1983, após substituir Clive Burr. Sua despedida das turnês aconteceu no Brasil, depois de mais de quatro décadas na bateria da banda.









