
Baterista detalha processo de composição com a banda e diz que priorizou tomadas completas para preservar o caráter humano das performances
Eloy Casagrande terminou de gravar as baterias do próximo álbum do Slipknot, seu primeiro trabalho de estúdio completo com a banda. Em entrevista ao The Downbeat Podcast, apresentado pelo baterista Craig Reynolds, o músico brasileiro contou que concluiu suas partes cerca de uma semana a dez dias antes da conversa.
“Acabei de gravar as baterias. Todas estão gravadas, estão prontas”, afirmou Eloy. O novo disco dará sequência a The End, So Far, de 2022.
Segundo o baterista, o processo de composição começou no fim de 2025, quando ele e o guitarrista Jim Root passaram a trocar riffs e ideias de bateria. As primeiras sessões presenciais aconteceram entre fevereiro e março, com a participação do percussionista Shawn “Clown” Crahan.
O ponto de partida foram improvisações em estúdio. Os músicos tocavam durante três ou quatro horas por dia, registravam tudo e depois ouviam as gravações para selecionar trechos que poderiam se transformar em músicas.
“Eu propunha algumas levadas, experimentava coisas diferentes, e Jim reagia ao que eu estava tocando. O contrário também acontecia: ele começava a tocar alguma coisa, e eu entrava acompanhando”, explicou.
Em etapas posteriores, as sessões passaram a reunir também o guitarrista Mick Thomson, o baixista Alessandro “VMan” Venturella e o multi-instrumentista Michael Pfaff. O produtor Matt Wallace, que trabalhou no single “Arsenal”, acompanhou os encontros.
Eloy destacou a participação de Clown na seleção do material. De acordo com o baterista, o percussionista esteve presente ao longo do processo, ajudando a identificar as ideias que poderiam render novas composições.
Gravações com tomadas completas
Na gravação das baterias, Eloy procurou manter a continuidade das performances. Em vez de montar cada execução a partir de pequenas correções, o músico gravou as faixas diversas vezes e escolheu as melhores versões.
“A maioria das músicas que gravei foi feita em uma única tomada. É como tocar uma música em um show. Queremos preservar isso”, disse.
O baterista esclareceu que, em algumas faixas, combinou partes de tomadas diferentes, mas evitou regravar pequenos trechos isoladamente para corrigir a execução.
A escolha também tem relação com sua experiência como professor em São Paulo. Segundo Eloy, muitos alunos ouviam gravações de metal e acreditavam que o resultado apresentado nos discos correspondia integralmente ao desempenho de um músico tocando.
“Não sou uma máquina. Não sou perfeito e quero manter essa realidade no álbum”, afirmou. “Quero que soe real, como um ser humano tocando bateria.”
Como nasceu “Arsenal”
Durante a entrevista, Eloy também explicou que “Arsenal”, lançado em setembro, teve uma origem diferente das músicas desenvolvidas nas improvisações. A composição partiu de uma ideia enviada por Corey Taylor no início do ano, à qual Jim Root acrescentou os riffs.
Inicialmente, o brasileiro tentou preservar a estrutura recebida. A abordagem mudou durante o trabalho com Clown e Matt Wallace, quando passou a experimentar outras levadas para a faixa.
A versão final da bateria foi registrada em uma tomada completa, depois de uma tarde de ensaios com a banda.
Segundo declarações de Jim Root reproduzidas pelo Blabbermouth, “Arsenal” foi lançado como single avulso e não fará parte do próximo álbum. O guitarrista também afirmou que a faixa não representa a direção das demais composições em desenvolvimento.
Fonte: The Downbeat Podcast, com transcrição publicada pelo Blabbermouth.









