
Convidado para participar de até duas músicas, vocalista acabou assumindo os vocais e dividindo a composição das oito faixas de “From The Dark”, que chega em 23 de outubro
Jørn Lande afirmou que trabalhar com Tony Iommi representa uma das maiores realizações de sua carreira. Em entrevista à revista australiana Heavy, com transcrição publicada pelo Blabbermouth.net, o cantor norueguês detalhou sua participação em “From The Dark”, novo álbum solo do guitarrista do Black Sabbath, e explicou como suas primeiras contribuições mudaram a direção do projeto. O lançamento está marcado para 23 de outubro, pela BMG.
“É o trabalho de nós dois, mas o álbum é dele. Então, como um fã de longa data, tentei dar o meu melhor”, declarou Lande. “Acredito que, no universo do rock e do metal, trabalhar com alguém como Tony Iommi seja provavelmente uma das maiores conquistas, ou o sonho de todo cantor de rock. Ele é o padrinho. É uma das razões pelas quais tantas bandas começaram.”
A participação do vocalista seria, inicialmente, restrita a uma ou duas faixas. Segundo Lande, Iommi pretendia reunir diferentes cantores e vinha desenvolvendo arranjos com elementos sinfônicos e orquestrais. A possibilidade de explorar composições instrumentais também fazia parte das ideias discutidas para o trabalho.
O planejamento mudou após o cantor apresentar sua contribuição para “Beyond The Dead”. A aprovação de Iommi e de sua equipe abriu caminho para uma segunda música, “Stormwatcher”. O resultado das duas colaborações levou à decisão de manter Lande como único vocalista do disco. Além de cantar, ele aparece nos créditos de composição das oito faixas.
As duas músicas também ajudam a apresentar os temas do álbum. “Beyond The Dead” trata das incertezas diante da morte, do apego à vida e da angústia de deixá-la para trás. Já “Stormwatcher”, uma das favoritas de Lande, utiliza a imagem de um navio enfrentando uma tempestade. “Há muita escuridão em algumas músicas, com os obstáculos que a vida traz, mas também há muita esperança”, explicou.
Para chegar a esse equilíbrio, cantor e guitarrista dedicaram tempo à revisão do material. Lande afirmou que ambos queriam acrescentar algo às próprias trajetórias e evitar a repetição de soluções já utilizadas em outros trabalhos. A experiência acumulada, segundo ele, tornou esse cuidado ainda mais necessário.
“Quando você escreve músicas originais, quer deixar sua marca”, disse. “Tanto eu quanto Tony sentimos que precisávamos dedicar esse tempo extra para ter certeza de que tudo estava certo.”
O processo de criação das letras contou com a colaboração do produtor Mike Exeter. Por não ter o inglês como língua materna, Lande explicou que precisa de mais tempo para avaliar palavras e construir versos. Essa condição, porém, também favorece escolhas menos previsíveis: algumas expressões despertavam dúvidas no estúdio, mas eram mantidas depois que o cantor explicava seu significado.
“Às vezes, uma frase soava um pouco estranha, e Mike Exeter apertava o botão de comunicação do estúdio e perguntava: ‘O que você acabou de cantar? O que isso significa?’”, recordou. Em determinadas situações, o produtor sugeria alternativas; em outras, aprovava a formulação original. “Quando não é sua língua materna, você segue caminhos diferentes e se permite usar combinações nas quais talvez não pensasse.”
Ao comentar suas referências musicais, Lande reconheceu a influência de Ronnie James Dio em “World Alone”, apresentada como o primeiro single do álbum. O cantor identifica essa proximidade na abertura da faixa, mas considera que a interpretação assume características mais associadas ao seu próprio trabalho conforme a música avança, especialmente no refrão.
A construção do disco, de acordo com o vocalista, privilegiou a troca entre os músicos durante o desenvolvimento das composições. “Houve muito trabalho em equipe, como fazíamos antigamente, quando você se reunia com o guitarrista ou com a banda e realmente compunha”, afirmou. “Queríamos fazer um álbum à maneira antiga e dedicar o tempo necessário para que ele ficasse ótimo.”
Além de Iommi e Lande, “From The Dark” reúne o baterista Karl Brazil, que trabalhou com Robbie Williams e James Blunt, e a baixista Becky Baldwin, integrante do Mercyful Fate. O lançamento terá edições em vinil e CD, incluindo uma versão em formato de livro com 32 páginas e duas faixas bônus.
A parceria entre o cantor e o guitarrista tem um antecedente nos palcos. Em 2010, Lande participou da homenagem a Dio no festival High Voltage, em Londres, ao lado de Iommi, Geezer Butler, Vinny Appice e Glenn Hughes. Naquele mesmo ano, o norueguês lançou “Dio”, álbum em tributo ao vocalista de Rainbow, Black Sabbath e Dio.








