Dave Mustaine rebate fama de vilão: “Não sou um cara mau”

21/10/2026 // Home  »  Destaque • Notícias   »   Dave Mustaine rebate fama de vilão: “Não sou um cara mau”

Dave Mustaine Corte

Líder do Megadeth comenta saída de Marty Friedman e relembra reencontro com o Metallica nos shows de 30 anos da banda

Dave Mustaine contestou a imagem de líder difícil que acompanha parte de sua trajetória à frente do Megadeth. Em entrevista ao podcast “Let There Be Talk”, apresentado por Dean Delray, o vocalista e guitarrista falou sobre as críticas à sua gestão da banda e revisitou sua relação com os antigos companheiros do Metallica. As declarações foram transcritas pelo site Blabbermouth.net.

Ao comentar um depoimento recente de Marty Friedman sobre sua saída do Megadeth, Mustaine afirmou ter recebido bem a autocrítica do ex-companheiro. Segundo o vocalista, Friedman reconheceu que poderia ter conduzido melhor o desligamento — episódio que, na avaliação de Mustaine, contribuiu para que ele fosse responsabilizado pelo público.

“Quando Marty saiu, eu virei o vilão. E eu não sou um cara mau. Não sou um cara mau. Se você me tirar do sério, sabe de uma coisa? Há uma chance de 50% de eu reagir mal. Mas, no geral, não passo o dia carregando ressentimento”, declarou.

Mustaine também rebateu a ideia de que teria deixado de aproveitar as composições de Friedman e rejeitou as críticas à sua liderança. Para ele, a repetição dessas versões ajudou a consolidar uma percepção que não corresponde à sua experiência dentro do grupo.

“Eu não sou um mau líder de banda. Veja onde o Megadeth está agora, depois de quase 45 anos. Estamos maiores do que nunca. Os caras da banda estão mais felizes do que nunca”, afirmou.

A conversa também passou pelo reencontro com o Metallica em dezembro de 2011, quando Mustaine participou do último dos quatro shows realizados no Fillmore, em São Francisco, para celebrar os 30 anos do grupo. As apresentações foram destinadas a integrantes do fã-clube e reuniram convidados ligados à história da banda.

Questionado sobre sua reação ao convite, Mustaine descreveu uma mistura de vontade de participar e frustração pelo tempo que o reencontro levou para acontecer.

“Não me lembro claramente, mas provavelmente houve um pouco de ‘não’, um pouco de ‘sim’, um pouco de ‘por que vocês demoraram tanto?’ e um pouco de ‘não deveríamos ter feito isso há muito tempo?’. Pense em todos os garotos que gostariam de ter me visto tocar com o Metallica. Essa parte é triste”, disse.

Mustaine integrou o Metallica no início da carreira e foi demitido em 1983, antes da gravação do álbum de estreia, “Kill ’Em All”. Substituído por Kirk Hammett, fundou o Megadeth e construiu uma trajetória própria entre os principais nomes do thrash metal. Embora não tenha tocado nos discos do antigo grupo, recebeu créditos de composição em músicas lançadas pela banda.

O reencontro de 2011 já havia sido descrito pelo músico como uma experiência catártica. Em entrevista ao MusicRadar naquele ano, Mustaine contou que ficou em dúvida sobre quais versões das músicas deveria preparar e se tocaria seus solos originais ou os gravados por Hammett. A questão foi resolvida pelo próprio sucessor, que sugeriu que ele assumisse os solos durante a participação.

Hammett também falou sobre o episódio em 2016, no podcast “Word of Wheeler”. O guitarrista disse ter se sentido confortável ao tocar as bases enquanto Mustaine solava e avaliou que a apresentação ajudou a amenizar feridas da separação. Na ocasião, Mustaine respondeu publicamente que respeitava Hammett e que sua interpretação estava “quase 100% correta”.

As novas declarações retomam essa história sob a perspectiva de Mustaine, que reconhece a possibilidade de reagir mal quando provocado, mas contesta que os conflitos do passado definam seu comportamento cotidiano ou sua liderança no Megadeth.

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