RESENHA: FM – Brotherhood (2025)

09/10/2025 // Home  »  DestaqueNotíciasResenha de Discos   »   RESENHA: FM – Brotherhood (2025)

Texto por Thiago Rahal Mauro
Gravadora: Frontiers Records/Shinigami Records
Compre no Brasil: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503266-FM—Brotherhood

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Existem bandas que fazem parte da história do rock, e existem aquelas que continuam escrevendo a própria história mesmo depois de décadas na estrada. O FM é exatamente esse tipo de banda. Desde o final dos anos 80, os britânicos vêm entregando discos consistentes, com aquela elegância que só o rock melódico inglês tem. E agora, com “Brotherhood”, eles mostram que ainda têm gás, inspiração e, acima de tudo, coração.

O título não poderia ser mais apropriado. Brotherhood soa como uma celebração da irmandade que mantém o FM unido há tanto tempo. Steve Overland, Merv Goldsworthy e Pete Jupp seguem juntos desde o clássico Indiscreet (1986), e isso se reflete na naturalidade com que a banda toca. Jim Kirkpatrick e Jem Davis, que já estão há anos no grupo, completam a formação com precisão e bom gosto. O FM é uma máquina bem azeitada e o segredo parece ser justamente esse: não forçar nada, apenas deixar a música fluir.

O disco começa muito bem com “Do You Mean It?”, uma faixa vibrante, cheia de groove e energia. O toque bluesy e os backing vocals femininos dão um tempero diferente, mais caloroso, quase soul, que amplia o universo sonoro da banda sem descaracterizá-la. A produção é cristalina, e o refrão é daqueles que ficam na cabeça por dias, simples e certeiro.

Logo na sequência, “Living on the Run” e “Coming For You” trazem aquele FM clássico que os fãs conhecem bem: melodias redondas, refrões que grudam e teclados que conversam com guitarras afiadas. É o tipo de som que dá vontade de ouvir dirigindo com as janelas abertas. Overland canta com uma entrega que emociona e é impressionante como ele ainda soa jovem, sem perder a classe.

O clima muda um pouco em “Raised on the Wrong Side”. É leve, quase ensolarada, com arranjo limpo e aquele ar de fim de tarde que o AOR dos anos 80 sabia criar tão bem. Já “Love Comes to All” tem um toque vintage irresistível, com guitarras limpas e uma vibe setentista que lembra Peter Frampton e Foreigner. Dá vontade de estar num festival ao pôr do sol com essa música tocando.

E então chega “Just Walk Away”, a balada do disco — e que balada! Steve Overland simplesmente transcende aqui. Ele não canta, ele conta uma história. A forma como ele interpreta cada verso mostra porque ainda é um dos melhores vocalistas do estilo. É uma canção simples, mas de uma beleza sincera, daquelas que tocam sem precisar exagerar.

A faixa “Don’t Call It Love” traz o FM em sua forma mais poderosa. É um hard rock melódico direto, com refrão grudento e guitarras cheias de energia. É o tipo de música feita para o palco, daquelas que você imagina abrindo um show, com o público cantando junto. Um dos momentos mais empolgantes do álbum.

Depois disso, o disco alterna entre momentos mais suaves e canções cheias de brilho. “Time Waits for No One”, “Because of You” e “Chasing Freedom” mostram uma banda confortável com sua identidade, sem precisar provar nada pra ninguém. O som respira, os arranjos são equilibrados, e a produção acerta ao apostar em um clima mais natural e menos saturado — algo raro nos dias de hoje.

O encerramento com “Enemy Within” fecha o álbum de forma elegante, com um clima mais sombrio e introspectivo. É uma faixa que parece falar sobre amadurecimento, sobre olhar pra dentro — um encerramento perfeito para um disco que, no fundo, fala sobre união, lealdade e o amor pela música.

Brotherhood não é um álbum que tenta reinventar o FM. É um disco de uma banda que sabe exatamente quem é e o que faz de melhor. É sobre melodia, sentimento e honestidade. Não há nada de artificial aqui, apenas cinco músicos experientes tocando com prazer e deixando isso transparecer em cada nota.

No fim das contas, Brotherhood soa como um reencontro com velhos amigos — aqueles que você não vê há tempos, mas quando se encontram, parece que o tempo nunca passou. É clássico, sincero e atemporal. E é por isso que o FM continua sendo uma das bandas mais respeitadas do rock melódico.

TRACKLIST

1. Do You Mean It
2. Living On The Run
3. Coming For You
4. Raised On The Wrong Side
5. Love Comes To All
6. Just Walk Away
7. Don?t Call It Love
8. Time Waits For No One
9. Because Of You
10. Chasing Freedom
11. The Enemy Within

FORMAÇÃO

Steve Overland – Vocal, guitarra
Merv Goldsworthy – Baixo
Pete Jupp – Bateria
Jem Davis – Teclados
Jim Kirkpatrick – Guitarra





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