RESENHA DE SHOW – FM apresenta álbum “Indiscreet” na íntegra em show sólido e competente na Burning House, em São Paulo; veja fotos

06/03/2026 // Home  »  DestaqueNotíciasResenha de Shows   »   RESENHA DE SHOW – FM apresenta álbum “Indiscreet” na íntegra em show sólido e competente na Burning House, em São Paulo; veja fotos

Fm 124

Anderson Hildebrando (@andersonh_fotografia)

Banda britânica aposta na força do repertório, mantém apresentação coesa do início ao fim e reforça a consistência de seu hard melódico ao vivo

Texto: Thiago Rahal Mauro
Fotos: Anderson Hildebrando (@andersonh_fotografia)

Na noite de 5 de março de 2026, a Burning House, em São Paulo, recebeu um show pensado para um público que conhecia bem o peso simbólico da ocasião. O FM subiu ao palco às 21h30 com a proposta de executar na íntegra Indiscreet, álbum que completa 40 anos, e construir ao redor dele um retrato amplo de sua trajetória. Desde o início, a apresentação deixou claro que a banda trabalharia menos na base do impacto imediato e mais na confiança depositada nas próprias canções.

Formado por Steve Overland (vocal e guitarra), Jim Kirkpatrick (guitarra), Merv Goldsworthy (baixo), Pete Jupp (bateria) e Jem Davis (teclado), o grupo começou com “Digging Up the Dirt”, em uma abertura funcional, sem excessos. Era uma forma de preparar o terreno para a sequência dedicada a Indiscreet, que logo se confirmou como eixo central da noite.

Quando vieram “That Girl” e “Other Side of Midnight”, o show passou a ganhar densidade. O público respondeu de forma imediata, e a banda encontrou ali um ponto de equilíbrio entre celebração e controle. “That Girl”, em especial, carregava um reconhecimento extra entre os brasileiros também por conta da versão gravada pelo Iron Maiden, mas o FM tratou a faixa como parte orgânica de seu repertório, sem depender desse dado para valorizá-la.

Steve Overland foi o centro natural da apresentação. Sem recorrer a uma postura exagerada, conduziu o show com firmeza e boa leitura de dinâmica. Sua interpretação funcionou justamente por evitar demonstrações desnecessárias de esforço. Ao lado dele, Jim Kirkpatrick atuou com precisão, reforçando bases e solos extraordinários, preenchendo espaços e contribuindo para um som mais encorpado do que expansivo.

A cozinha formada por Merv Goldsworthy e Pete Jupp teve papel decisivo na coesão do show. Os dois sustentaram as músicas com segurança e senso de medida, sem pressionar os arranjos além do necessário. Jem Davis, nos teclados, ajudou a preservar a identidade melódica do FM e foi importante sobretudo nas passagens em que o repertório pedia mais ambiência e acabamento harmônico.

Na parte central de Indiscreet, o show cresceu em consistência. “Love Lies Dying”, “American Girls”, “Frozen Heart” e “Hot Wired” ajudaram a mostrar como o álbum segue funcionando ao vivo não apenas pela memória afetiva, mas por ter uma sequência sólida de composições. Tocadas em bloco, essas músicas reforçaram a percepção de unidade do disco e destacaram uma escrita baseada em refrões eficientes e arranjos bem resolvidos.

Esse aspecto ficou ainda mais evidente em “Face to Face”, “I Belong to the Night” e “Heart of the Matter”. Nessa altura, a apresentação parecia menos preocupada em produzir picos e mais interessada em manter um padrão de qualidade. Foi uma escolha acertada. Em vez de transformar cada faixa em clímax, o FM deixou que o repertório se afirmasse pela regularidade.

Na reta seguinte, “Dangerous”, “Synchronized” e “Let Love Be the Leader” recolocaram o show em uma chave mais direta. “Someday (You’ll Come Running)” trouxe um dos momentos de maior aproximação com a plateia, em uma resposta espontânea e sem artificialismo. Já “Does It Feel Like Love” sintetizou bem o que a banda ofereceu ao longo da noite: melodias fortes, execução segura e uma compreensão madura do próprio estilo.

Quando “Bad Luck” e “Tough It Out” encerraram o set principal, a sensação era de jogo ganho, sem necessidade de apelar para um ápice fabricado. O bis com “Closer to Heaven” e “Killed by Love” funcionou como extensão natural do que já havia sido apresentado.

Ao final, a execução integral de Indiscreet deu unidade ao show, enquanto as faixas de outras fases ampliaram o recorte sem desviar o foco. Na Burning House, o FM fez uma apresentação segura, organizada e musicalmente convincente. O show reafirmou a solidez de uma banda que conhece muito bem o material que tem em mãos.

Setlist

Digging Up the Dirt
That Girl
Other Side of Midnight
Love Lies Dying
American Girls
Frozen Heart
Hot Wired
Face to Face
I Belong to the Night
Heart of the Matter
Dangerous
Synchronized
Let Love Be the Leader
Someday (You’ll Come Running)
Does It Feel Like Love
Bad Luck
Tough It Out

Bis:
Closer to Heaven
Killed by Love

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Anderson Hildebrando (@andersonh_fotografia)

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