
Myles Keenedy
Vocalista do Alter Bridge diz que a tecnologia já cria canções inteiras e defende que o impacto vai depender de como ela será usada; banda lança álbum novo em 9 de janeiro e inicia turnê europeia no dia 15.
Em entrevista ao The Cody Tucker Show, o vocalista e guitarrista Myles Kennedy, do Alter Bridge, comentou o crescimento acelerado da inteligência artificial na música e reagiu ao uso de geradores de IA para criar melodias, harmonias e rimas. As declarações foram publicadas em transcrição pelo Blabbermouth.net.
Myles Kennedy afirmou que não gosta do caminho que a tecnologia vem tomando e citou como exemplo o fato de uma canção country ter alcançado o primeiro lugar sendo totalmente gerada por IA: “É desanimador. Eu não gosto disso. O fato de que acabamos de ter uma música country número um que foi toda gerada por inteligência artificial, isso é algo que me deixa intrigado. E eu não sei para onde isso vai“.
“É interessante porque eu sinto que também existe esse movimento, em que qualquer coisa relacionada às artes… Existe um grupo de pessoas que quer apoiar coisas que elas sabem que são feitas por humanos. Então talvez isso vire um fator, em que não vai ser legal se as pessoas descobrirem que você está dependendo demais de IA para tudo. Mas vamos ver como isso se desenrola. Vai ser interessante… No fim das contas, tudo o que isso está fazendo é varrer a internet para encontrar esse conteúdo. Então eu sempre digo para mim mesmo: bem, tecnicamente um ser humano está envolvido porque tudo se baseia no trabalho humano. Mas, sim, eu não sei. Tem tantos aspectos nisso de que eu não gosto. Eu não gosto desses videozinhos gerados por inteligência artificial em que as pessoas podem pegar… Elas podem pegar você ou me pegar e fazer a gente dizer algo que a gente não disse de verdade. Isso está virando um problema, em que as pessoas acabam sendo enganadas, acreditando que eu estou entrando em contato com elas e eu não estou. É loucura. É um mundo maluco.”
O músico também relacionou o avanço dessas ferramentas ao ambiente das redes sociais, dizendo que passou a se afastar por não confiar mais no que aparece no feed: “É por isso que eu nem uso muito as redes sociais mais, porque eu me pego rolando a tela e penso: quanto disso é realmente real? Eu nem sei mais o que estou olhando. Então eu fico tipo: estou fora. Para mim, está bom.”
Na mesma conversa, Kennedy levou o assunto para a educação e para os efeitos do uso da IA como atalho, defendendo que isso pode reduzir aprendizado e a sensação de conquista pessoal.
“No fim, é só uma questão, eu acho, de como nós todos vamos usar isso. A pergunta para nós como humanos é tipo: ok, você vai usar IA para… Digamos que você seja um estudante. Vou usar IA para escrever meu trabalho. E você não está se ajudando em nada, porque o que vai acontecer é que… O cérebro humano é como um músculo, e se você não usa, ele vai atrofiar, vai virar mingau. Então a ideia de se envolver e trabalhar em algo, e também a sensação de realização. Eu amo isso. Eu amo fazer algo e depois aquela sensação que você tem quando termina. Se a gente quer nos diminuir, então, sei lá, vá em frente. Mas eu não quero me diminuir.”
A preocupação não é nova. Em outubro de 2023, Kennedy já havia discutido o tema em conversa com Justin Hawkins, do The Darkness, comparando a desconfiança que a IA pode gerar ao debate sobre correção de afinação em estúdio. Na época, ele afirmou:
“Tudo isso realmente me preocupa, de verdade, especialmente como compositor. Eu sinto que, em cinco anos, vamos chegar a um ponto em que vai ser como já é hoje no ambiente de estúdio, quando você ouve um vocal e pensa: quanto desse vocal foi mexido com correção de afinação? Quanto disso foi o cantor que realmente conseguiu acertar as notas? Eu tenho medo de que, com o tempo, com a IA, a pergunta seja: quanto dessa música foi realmente escrita por aquele artista versus pela IA? E isso realmente me preocupa, porque como isso funciona? Eu não sei. Eu não sei. Eu acho que isso é uma porcaria.”
As declarações de Kennedy chegam às vésperas do próximo passo do Alter Bridge. O oitavo álbum de estúdio do grupo, Alter Bridge, tem lançamento marcado para 9 de janeiro de 2026, pela Napalm Records, com produção de Michael “Elvis” Baskette e gravações que passaram pelo estúdio 5150, na Califórnia, e pelo estúdio do produtor na Flórida.
Na estrada, a banda inicia a turnê What Lies Within em 15 de janeiro, com uma etapa europeia que termina em 5 de março, em Nottingham, no Reino Unido, com Daughtry e Sevendust como atrações de apoio.
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