
Produtora desmente números “ridículos” de 190 milhões e destaca que o Black Sabbath arcou com todos os custos do histórico show de despedida em Birmingham
Sharon Osbourne revelou que o concerto de despedida do Black Sabbath, “Back To The Beginning”, realizado em 5 de julho no Villa Park, em Birmingham, arrecadou 11 milhões de dólares para a caridade. O valor real contrasta com as primeiras notícias divulgadas na mídia internacional, que falavam em uma arrecadação próxima de 190 milhões de dólares, cifra que a empresária classificou como totalmente desconectada da realidade. A entrevista foi transmitida no canal The Osbournes e transcrita pelo site Blabbermouth.
Logo após o evento, o diretor musical do show, Tom Morello, publicou no Instagram que cerca de 190 milhões de dólares (140 milhões de libras) seriam doados às instituições beneficiadas. Em seguida, veículos como Billboard e The Guardian repercutiram números semelhantes, inclusive citando que a transmissão pay-per-view teria alcançado quase seis milhões de fãs, gerando algo em torno de 150 milhões de dólares em receita. A expectativa era de que os valores fossem divididos entre o Birmingham Children’s Hospital, o Acorn Children’s Hospice e a Cure Parkinson’s, organização dedicada a pesquisar a cura para o mal de Parkinson, que afetava Ozzy desde 2019.
Falando com os filhos Jack e Kelly no podcast “The Osbournes”, Sharon explicou o que de fato entrou para a caridade e criticou as estimativas infladas. Sobre as reportagens que apontavam quase 190 milhões de dólares de arrecadação, ela afirmou: “Se um único show pudesse ter arrecadado… quer dizer, os textos diziam que chegava a uns 190 milhões. É como se fosse assim: qualquer artista, é só fazer um show grande, filmar e você pode se aposentar com um único show. Não, não chegou nem perto disso, e eu gostaria que tivesse sido, mas nós estamos vivendo na realidade, no mundo real.”
Questionada por Jack sobre quanto “Back To The Beginning” realmente arrecadou, Sharon respondeu: “Arrecadou 11 milhões. Mas com os custos, porque fomos nós que pagamos os custos de trazer todo mundo, levar todo mundo de volta, acomodação, tudo. E ninguém foi pago. Ninguém pediu um centavo. Eles deram o tempo, o esforço, tudo de graça. As pessoas foram, oh meu Deus, tão generosas.” Segundo ela, toda a logística do evento foi bancada pela própria estrutura da família Osbourne e do Black Sabbath, garantindo que a bilheteria e as receitas da transmissão fossem destinadas às entidades.
Sharon já havia rebatido o número de 190 milhões em entrevista à publicação Pollstar, dias antes da morte de Ozzy, em 22 de julho. Na ocasião, ela disse: “Uma das coisas que me assusta é toda essa imprensa falsa dizendo que nós ganhamos 140 milhões de dólares e tudo isso, e eu fico tipo: ‘Deus, eu queria que tivéssemos conseguido isso por um único show’. É simplesmente ridículo, as diferentes versões. Entrei na internet na manhã seguinte e estava lá: 140 milhões de dólares, 160 milhões de dólares. E eu penso: ‘De onde vem esse tipo de coisa?’”
Ela ainda explicou que o cálculo final dos valores leva semanas: “Demora muito tempo para chegar ao número final que será doado para a caridade, porque tivemos todas as bandas que trouxemos e as despesas delas, então leva umas seis semanas para se chegar ao número final.”
Quando o repórter Ray Waddell observou que notícias superestimadas poderiam criar uma expectativa irreal nas instituições beneficiadas, Sharon concordou e ponderou: “Meu Deus! Estamos falando de um hospital infantil, de um hospice infantil e de pesquisa sobre Parkinson. Todo mundo acha que vão curar tudo com essa quantia de dinheiro, mas esse não é o mundo real.”
Apesar disso, ela reforçou que o concerto – que contou com performances de Metallica, Slayer, Pantera, Guns N’ Roses, Tool e outros nomes, além de um set solo de Ozzy – foi, artisticamente e em impacto, um enorme triunfo. “Foi um evento fenomenal. Acho que foi a primeira vez que alguém se aposentou e fez isso dessa forma, em que o show é transmitido e o dinheiro vai para a caridade. Então foi a primeira vez que alguém disse boa noite desse jeito, é a forma perfeita, quando você teve uma carreira tão longa, de encerrá-la. Eu nunca quis que o Ozzy simplesmente desaparecesse sem algum grande evento.”









