RESENHA: VIPER – Tem Para Todo Mundo (2025)
12/07/2025 // Home  »  DestaqueNotíciasResenha de Discos   »   RESENHA: VIPER – Tem Para Todo Mundo (2025)




Texto: Caio Maranho Maia
Gravadora: ForMusic/Wikimetal

Viper Tem Pra Todo Mundo

Trabalho subestimado da banda ganha nova roupagem e merece ser redescoberto.

Patinho feio, underdog, azarão, lado B… inúmeros adjetivos pouco elogiosos vieram à tona quando Tem Para Todo Mundo foi lançado pelo Viper em 1996. Com músicas em português e produção de Mayrton Bahia (Legião Urbana), que remetia aos discos de rock brasileiros dos anos 80, o álbum causou ojeriza entre os headbangers e não despertou atenção suficiente do mainstream na época. Pior: devido à falência da gravadora Castle, o Viper entrou num limbo que só seria resolvido anos depois.

Porém, em 2025, a banda resgatou as músicas e, com o auxílio da tecnologia atual e a produção do parceiro de longa data Val Santos, o Viper lançou uma nova versão do trabalho, agora intitulada Tem Para Todo Mundo.

A produção de Val Santos merece destaque. Logo de cara, nota-se que as músicas apresentam guitarras mais marcantes, com mais corpo e instrumentos melhor equalizados. Faixas como “Dinheiro”, “Sábado”, “Na Cara do Gol”, “Crime na Cidade”, “The One You Need” e “8 de Abril” deixaram de ser rocks e baladas anêmicas para se tornarem músicas com mais substância melódica e instrumental, aproximando a sonoridade da banda de grupos contemporâneos à época do lançamento original, como Raimundos, Chico Science & Nação Zumbi, Sublime, Offspring e Green Day.

Outro ponto a se destacar é o acerto de Felipe Machado na regravação das guitarras, que soam agressivas, mas ao mesmo tempo ressaltam as letras das músicas. Isso mostra a força que as composições do saudoso Pit Passarell ainda carregam, mantendo-se atuais mesmo depois de tanto tempo.

Como nem tudo são flores, algumas músicas, mesmo com a melhora na produção, não evoluíram. É o caso de “Um Dia” e “Lucinha Bordon” — algo que não se deve à nova produção, mas sim ao fato de que essas composições não tinham potencial para ir além.

No mais, Tem Para Todo Mundo apresenta muito mais acertos do que erros e, graças à nova produção, merece ser redescoberto. As músicas continuam atuais e se aproximam da sonoridade roqueira e metaleira que o Viper carrega em seu DNA. De underdog, Tem Para Todo Mundo atinge sua plenitude quase 30 anos depois. Como diz o ditado: antes tarde do que nunca.

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