RESENHA: RAIMUNDOS – “XXX” (2025)

27/05/2025 // Home  »  DestaqueLançamentosResenha de Discos   »   RESENHA: RAIMUNDOS – “XXX” (2025)

Texto: Thiago Rahal Mauro

Raimundos Xxx

Lançado em 21 de maio de 2025, o álbum “XXX” marca o retorno triunfante dos Raimundos ao cenário musical nacional. Celebrando os 30 anos de carreira da banda, o título é um trocadilho que junta a data comemorativa com o espírito provocador típico do grupo. Para mim, que acompanho a banda desde os anos 90, foi interessante mergulhar nessa nova fase, ainda mais após a perda de Canisso. A chegada de Jean Moura no baixo reoxigenou a banda, e a produção de Alexandre Russo trouxe um som moderno, cru e visceral. Atualmente, a banda é formada por Digão, nos vocais e guitarra, Marquin, guitarra, Jean Moura, no baixo e Caio Cunha, bateria.

A faixa de abertura, “Os Calo”, é uma verdadeira pancada. Mistura crossover pesado, momentos cadenciados, forrócore e até um breakdown digno de abrir rodas de mosh. Digão definiu bem: “a música irá cuspir toneladas de lava sonora”. A força com que essa faixa entra já define o clima do álbum — agressivo, diverso e imprevisível. Logo na sequência, “Maria Bonita” mantém o ritmo com um forrócore bem na linha de ‘Mulher de Fases’, mostrando a habilidade da banda em mesclar peso com raízes nordestinas.

“Dia Bonito” é, para mim, uma das maiores surpresas do álbum. Com uma pegada de punk rock, e um beat que flerta com o rap, a faixa emociona sem perder a identidade dos Raimundos. Os vocais “rapantes”, como Digão descreve, trazem uma vibe descontraída que gruda no ouvido. É aquela música que você canta no carro, de janela aberta, num dia realmente bonito.

Em seguida vem “Um Doce”, que de doce só tem o nome. O riff de guitarra aqui é simplesmente único e o refrão é daqueles que você se pega cantarolando sem perceber. A ironia da letra e o peso instrumental equilibram-se de forma magistral, tornando essa faixa uma das mais radiofônicas do disco, sem perder a acidez tradicional da banda.

“Nas Nuvens” traz um respiro ao álbum com um ska noventista encantador. É leve, dançante, e sua letra narra o início caótico e improvável de uma história de amor. Aqui os Raimundos mostram sua faceta mais descontraída, lembrando que sua versatilidade vai muito além do peso e da irreverência.
A faixa “Cuidado com Esses Cara Aí!” é um show à parte. Com um repente pesado e divertido, ela dá continuidade à saga alienígena iniciada em trabalhos anteriores. É uma das mais teatrais do disco e, ao mesmo tempo, uma das mais pesadas. O senso de humor está ali, intacto, provando que a banda não perdeu sua essência cômica e crítica.

A produção de Alexandre Russo merece destaque. Conseguiu extrair o melhor de cada integrante, dando espaço para a guitarra de Digão brilhar, a guitarra de Marquim aparecer em grande estilo enquanto a bateria de Caio Cunha pulsa com força e precisão. Jean Moura, estreando no baixo, demonstra segurança e uma presença notável, que se integra perfeitamente ao som do grupo.

O álbum “XXX” é uma verdadeira montanha-russa de emoções e estilos. A banda transita entre punk, hardcore, ska, forró e rap com naturalidade e ousadia. Não há aqui uma tentativa de agradar a todos, mas sim de fazer música com identidade, algo que os Raimundos sempre fizeram com excelência.

Do ponto de vista lírico, o álbum mantém o tom sarcástico e contestador que os fãs tanto apreciam. Mas também há espaço para momentos de ternura, crítica social e até introspecção. É um disco maduro, mas que mantém o espírito juvenil, debochado e rebelde.

Para mim, “XXX” não é apenas uma celebração de 30 anos — é uma reafirmação de relevância. Os Raimundos mostram que envelhecer no rock pode significar ficar ainda mais afiado, criativo e corajoso. Se este álbum fosse uma roda punk, eu estaria no meio, pulando, gritando, e agradecendo por ainda poder ouvir algo tão visceral e verdadeiro em pleno 2025.

Ouça o álbum:

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