Texto: Thiago Rahal Mauro
Gravadora: Reigning Phoenix Music/Valhall Music
Onde comprar no Brasil: https://www.valhallmusic.com.br/
O Helloween não é apenas uma banda; é um dos pilares do power metal mundial. Em Giants & Monsters, álbum que foi lançado em 29 agosto de 2025, o grupo alemão chega ao seu 17º disco de estúdio com a segurança de quem já escreveu capítulos definitivos da história do gênero. A diferença agora está no refinamento conquistado após o retorno da formação “Pumpkins United”. Se o álbum anterior, Helloween (2021), tinha o peso simbólico da reunião e funcionava quase como uma celebração, este novo trabalho soa mais orgânico, mais ousado e, acima de tudo, mais seguro do que quer transmitir musicalmente. A atual formação conta com os vocalistas Andi Deris e Michael Kiske, os guitarristas Michael Weikath, Sascha Gerstner e Kai Hansen (que também é um dos vocalistas), o baixista Markus Grosskopf e o baterista Dani Löble.
A história de Giants & Monsters começa muito antes do lançamento. Produzido por Charlie Bauerfeind e Dennis Ward, o disco foi gravado nos lendários estúdios Wisseloord, na Holanda. Esse detalhe é parte essencial da atmosfera do álbum, que consegue soar moderno sem perder a alma analógica que sempre caracterizou o Helloween. A escolha do estúdio e da equipe técnica reflete a ambição do projeto, e isso fica evidente na clareza dos arranjos e no equilíbrio entre potência e melodia em cada faixa.
Outro ponto de destaque está nas gravações de voz. Tanto Michael Kiske quanto Andi Deris registraram versões completas de várias músicas, e os produtores escolheram as melhores interpretações para cada faixa. Essa decisão adiciona intensidade às performances, já que cada vocalista deu o máximo. A bateria também ganhou um cuidado especial: Dani Löble gravou usando três kits diferentes, ajustando timbres e pegadas de acordo com a energia de cada canção. Essa atenção aos detalhes revela o nível de comprometimento da banda em entregar não apenas mais um álbum, mas um registro que se sustente como um marco na discografia.
“Giants on the Run” abre o disco com a intensidade típica da banda, com velocidade, refrão poderoso e uma produção cristalina. É um começo que remete ao DNA clássico do Helloween, mas já mostra que estamos diante de uma obra mais polida do que a de 2021, onde algumas faixas funcionavam apenas como reafirmação de identidade. Aqui, a banda não precisa provar nada: simplesmente entrega. Ela é um daqueles épicos do Helloween que tem tudo do pilar do Power Metal. Neste caso, os 3 vocalistas cantam e tem seu destaque merecido, imagino que ela será tocada ao vivo na turnê. Em seguida, “Saviour of the World” traz Michael Kiske em estado de graça, revivendo os tempos de Keeper of the Seven Keys com uma voz que parece imune ao tempo. Enquanto no álbum anterior ele soava por vezes contido, aqui canta com naturalidade, emoção e segurança.
A terceira faixa, “A Little Is a Little Too Much”, quebra o ritmo com a crueza de Andi Deris. O vocalista encontra aqui sua força interpretativa. A canção pode soar mais direta e menos elaborada, mas ela tem aquele lado divertido que só o Helloween pode transmitir e confere ao álbum uma camada contemporânea. O videoclipe mostra essa faceta divertida da banda e o dueto com Michael Kiske funciona perfeitamente.Essa variação se expande em “We Can Be Gods”, mais uma daquelas clássicas faixas Power Metal que os fãs tanto amam. Aqui o destaque fica para a cozinha formada por baixista Markus Grosskopf e o baterista Dani Löble.
“Into the Sun” aparece como contraponto, provando que o Helloween sabe ser grandioso sem depender apenas da velocidade. É uma balada construída com piano e sintetizadores, onde Deris e Kiske dividem os vocais em um dueto emocionante. Comparada às tentativas mais contidas do álbum de 2021, esta é mais consistente e menos previsível. O solo de guitarra, dramático e quase cinematográfico, dá à música um peso épico que faltava no trabalho anterior. Detalhe que essa faixa era pra ter sido lançada no disco anterior.
Já “This Is Tokyo” segue em outra direção: simples, direta e feita para os shows. Seu refrão pegajoso e energia imediata a tornam irresistível, especialmente no Japão, onde a banda é idolatrada. Se em 2021 algumas faixas pareciam funcionar apenas como preenchimento, aqui fica claro o propósito: é entretenimento puro, assumido e eficaz.
Logo depois, “Universe (Gravity for Hearts)” traz uma guinada atmosférica, com Kai Hansen adicionando camadas quase progressivas. É uma canção que exige mais atenção, mas que amplia o horizonte sonoro do álbum. Aqui temos Michael Kiske em sua melhor forma. Se você é fã da fase clássica vai amar essa música. “Hand of God” devolve a brutalidade com força total. O baixo de Markus Grosskopf e a bateria de Dani Löble sustentam uma base sólida enquanto as guitarras se cruzam em riffs afiados. É uma das composições mais consistentes do disco, equilibrando técnica e energia com precisão. Já “Under the Moonlight” desacelera em um mid-tempo característico da banda. Poderia facilmente estar no disco anterior, mas aqui funciona como preparação para o clímax final.
Esse clímax chega com “Majestic”, o grande épico do álbum. São mais de oito minutos que sintetizam tudo o que o Helloween representa: refrões grandiosos, solos intensos, passagens progressivas e os três vocalistas em perfeita sintonia. Enquanto o álbum homônimo de 2021 parecia preocupado em provar que a reunião funcionava, Giants & Monsters mostra que ela floresceu. “Majestic” não é apenas um encerramento, mas um novo clássico do power metal, digno de ocupar espaço ao lado dos maiores momentos da banda.
No fim das contas, Giants & Monsters vai além da continuação natural de seu antecessor. Se em 2021 o Helloween entregou um disco comemorativo, em 2025 apresenta uma obra madura, coesa e cheia de frescor. Há faixas mais previsíveis, mas elas são superadas por arranjos inspirados e interpretações memoráveis. O Helloween não vive apenas de passado: honra sua história enquanto constrói o presente. Quarenta e dois anos depois, os gigantes do power metal continuam enfrentando seus monstros — e, mais uma vez, saem vencedores.
Tags: Andi Deris • Helloween • Kai Hansen • Michael Kiske