RESENHA DE SHOW – Avantasia transforma o Vibra São Paulo em ópera metal e Tobias Sammet crava: “Aqui é tudo 100% ao vivo, sem backing track, sem playback e sem VS”

30/11/2025 // Home  »  ArtigosDestaqueNotíciasResenha de Shows   »   RESENHA DE SHOW – Avantasia transforma o Vibra São Paulo em ópera metal e Tobias Sammet crava: “Aqui é tudo 100% ao vivo, sem backing track, sem playback e sem VS”

Texto por Thiago Rahal Mauro
Fotos: Anderson Hildebrando/Metal no Papel e Heavy Metal On Line

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Foto por Anderson Hildebrando/Metal no Papel e Heavy Metal On Line (@andersonh_fotografia)

Turnê do álbum “Here Be Dragons” reúne vocalistas do calibre de Tobias Sammet, Ronnie Atkins, Tommy Karevik, Herbie Langhans, Kenny Leckremo, Adrienne Cowan e Chiara Tricarico em noite longa, teatral e carregada de hits na capital paulista.

O Vibra São Paulo virou um grande teatro de fantasia na noite de 29 de novembro de 2025, quando Tobias Sammet trouxe de volta a turnê “Here Be Dragons” para uma apresentação solo do Avantasia. A casa recebeu um público apaixonado e pronto para embarcar em uma jornada musical que mistura Power Metal, teatralidade e um elenco de vozes estelares. Sete meses depois de se apresentar em São Paulo no Bangers Open Air 2025, o projeto alemão provou sua força colocando um excelente público em São Paulo.

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Foto por Anderson Hildebrando/Metal no Papel e Heavy Metal On Line (@andersonh_fotografia)

Pontualmente às 21h, as luzes se apagaram e, cerca de cinco minutos depois, o Avantasia surgiu no palco com “Creepshow”, do novo álbum “Here Be Dragons” (2025). Logo de cara, a banda já mostrou a intenção de criar um clima denso e misterioso. A iluminação dramática, os efeitos no palco e a postura teatral de Tobias Sammet deram o tom da noite. O público respondeu cantando assim que a primeira nota ecoou. Por ser mais direta e com uma pegada, digamos, mais Hard Rock, essa música soou perfeita para abertura do show.

Na sequência, um hino, “Reach Out for the Light”, clássico do “The Metal Opera” (2001), teve Adrienne Cowan brilhando ao assumir os vocais originalmente cantados por Michael Kiske. Sua performance foi arrebatadora, alcançando notas altíssimas com precisão e empolgando os fãs, que cantaram o refrão com entusiasmo. Essa faixa também possui um significado especial para o público brasileiro, pois, durante sua passagem pelo Avantasia, o saudoso Andre Matos a interpretava com maestria, deixando uma marca inesquecível — inclusive, foi a última música que ele cantou ao vivo, em um show do Avantasia com o Shaman, em 2019, apenas uma semana antes de sua partida.

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“The Witch”, do álbum Here Be Dragons (2025), trouxe Tommy Karevik definitivamente para o centro dos holofotes. Ao vivo, ele encarnou o personagem da canção com uma interpretação carregada de emoção, gestos teatrais, expressões faciais marcantes e uma presença de palco quase hipnótica. Nos trechos em dueto com Tobias Sammet, a química entre os dois foi evidente: Tobias assumia a figura narrativa, enquanto Tommy respondia como o personagem atormentado da história, criando um verdadeiro diálogo dramático em forma de metal. A cada verso, Karevik alternava entre momentos mais contidos e explosões vocais poderosas, evidenciando seu alcance e controle técnico. A banda acompanhou com um clima sombrio e envolvente, reforçado pela iluminação e pelos coros, criando a atmosfera perfeita para a narrativa da música.

Em “Devil in the Belfry” (The Scarecrow, 2008), Herbie Langhans trouxe um clima ainda mais sombrio ao palco com sua voz grave e imponente, quase ameaçadora. Sua interpretação deu peso extra à faixa, reforçada pelos riffs pesados e pela base rítmica densa da banda. O resultado foi uma das performances mais impactantes da primeira parte do show.

Ronnie Atkins levantou o público com “Phantasmagoria” (“Here Be Dragons”, 2025), que funcionou como um verdadeiro hino. Braços erguidos, coros em uníssono e energia pulsante tomaram conta do local. Tobias deixou a plateia assumir parte dos vocais, o que aumentou a conexão com a música. “Against the Wind”, também do novo trabalho, ganhou um ar de celebração nostálgica com Kenny Leckremo no comando. Antes de começar a música, Tobias fez questão de reforçar que ali era tudo 100% real, “sem backtrack, sem playback, sem VS”, e ainda comentou, em tom bem-humorado, que em todos os anos de redes sociais sempre aparece alguém reclamando que o disco não é power metal o suficiente — aquele hater de carteirinha — e que essa faixa era justamente para esse tipo de gente. Kenny, por sua vez, mostrou por que é um dos grandes vocalistas: cantou com segurança, carisma e um timbre limpo e potente, dando nova vida à música ao vivo. A interação com o público foi imediata, com muitos cantando junto e transformando o refrão num verdadeiro hino da noite.

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“Dying for an Angel” (The Wicked Symphony) trouxe um dos momentos mais emocionais da noite, com Tommy Karevik dividindo os vocais com Tobias. O dueto, impecável e cheio de sentimento, arrancou suspiros e deixou o clima mais intimista. A participação do público foi intensa: muita gente cantou praticamente a música inteira, transformando o refrão em coro coletivo, enquanto uma “constelação” de celulares se erguia para registrar a cena.

“Avalon” (The Mystery of Time, 2013), com Adrienne novamente no palco, foi um dos momentos mais grandiosos da noite. Com duração extensa e clima épico, a música evoluiu de forma crescente, e a plateia acompanhou em silêncio reverente até o refrão final, que explodiu em aplausos.

“Promised Land” (The Scarecrow, 2008) foi surpreendente por ser apresentada sem Tobias. Ronnie e Kenny dividiram os vocais com competência, em uma versão cheia de energia e dinamismo. Os fãs reconheceram a ousadia e responderam com gritos e aplausos calorosos. A faixa “Avantasia”, do álbum de estreia, veio em seguida com Tommy e Tobias liderando. O público entoou o nome da banda com orgulho, transformando o local em um verdadeiro templo do power metal. Curiosidade é que essa música não era apresentada ao vivo há muito tempo pela banda.

“Let the Storm Descend Upon You” (Ghostlights) foi um ponto alto técnico e emocional. Ronnie e Herbie dominaram a canção com alternância precisa, enquanto a banda acompanhava com perfeição as mudanças de ritmo. O público estava hipnotizado. Essa é uma daquelas faixas onde o Power e o Prog Metal se encontram. Uma aula. “The Toy Master” trouxe Tobias de volta em sua versão mais teatral. A interpretação sombria da faixa, cheia de gestos e nuances, prendeu a atenção dos espectadores como um verdadeiro ato de ópera rock.

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Sem Tobias em cena, Tommy Karevik e Ronnie Atkins assumiram o comando em “Twisted Mind” (The Scarecrow) e entregaram uma performance cheia de intensidade. O contraste entre as vozes, com a interpretação mais dramática de Tommy e o timbre marcante e levemente rasgado de Ronnie, deu nova vida à faixa ao vivo e criou uma dinâmica quase teatral. O público embarcou na proposta e reagiu com entusiasmo, cantando e aplaudindo a dupla ao final.

“The Wicked Symphony” manteve o ritmo acelerado. Tommy e Kenny dividiram os vocais em perfeita harmonia, e o peso instrumental empolgou os fãs que agitavam a cabeça ao ritmo da bateria de Felix Bohnke. Em “Shelter from the Rain” (The Metal Opera Part II), Herbie e Kenny entregaram uma performance cheia de vigor, e o público respondeu com aplausos espontâneos ao final. “Farewell”, com Chiara Tricarico, emocionou o Vibra. A suavidade dos vocais femininos, em contraste com os temas mais pesados anteriores, deu um respiro poético à noite. Muitos olhos marejados no público. O público ergueu os braços e fez um show à parte, sendo registrado inclusive para o Instagram da banda.

Fechando a primeira parte do set, “The Scarecrow”, com Ronnie no vocal, foi um dos pontos mais dramáticos e poderosos do show. A construção lenta da música até o clímax instrumental manteve o público em silêncio atento e depois levou todo mundo ao delírio quando a banda explodiu. Os solos de Sascha Paeth, cheios de feeling e técnica, foram longamente ovacionados.

No Bis, “No Return” ganhou um peso ainda maior ao ser dedicada por Tobias Sammet a Andre Matos, a quem ele fez questão de chamar de amigo e de lembrar com visível carinho. Segundo ele, o maior cantor brasileiro de todos os tempos. A interpretação de Kenny Leckremo veio carregada de emoção, com cada verso soando quase como uma homenagem direta ao legado de Andre. A comoção tomou conta do ambiente, com gritos de “Andre! Andre!” ecoando pelo Vibra São Paulo e deixando o clima ainda mais intenso.

Ao final da música, o público espontaneamente emendou o coro de “Inside”, uma das faixas em que Andre Matos se tornou mais marcante no Avantasia. Tobias não ficou de fora: assumiu o microfone e passou a cantar junto com a plateia, deixando o momento ainda mais simbólico. Foi um dos pontos mais emocionantes de toda a apresentação, unindo banda e fãs em um tributo sincero ao eterno ícone do metal brasileiro.

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“Lost in Space”, com Chiara no vocal, trouxe um dos momentos mais leves e participativos do show. A música criou um clima de aconchego e celebração, com o público cantando praticamente cada verso e transformando o refrão em um grande coro coletivo. A presença de Chiara, segura e carismática, deu um brilho especial à performance e deixou a sensação de pausa emocional no meio de tanta grandiosidade.

Na parte final, o medley de “Sign of the Cross / The Seven Angels” veio como consagração absoluta da noite. Antes de começar, Tobias Sammet lembrou que a primeira vez que apresentou “Sign of the Cross” em São Paulo foi exatamente naquele mesmo local, quando a casa ainda se chamava Credicard Hall, durante a gravação do DVD Ritualive do Shaman, o que deu um peso extra ao momento. Todos os vocalistas voltaram ao palco, cada um assumindo sua parte com energia máxima, enquanto a banda entregava uma performance no limite. O resultado foi um encerramento digno de ópera metal, com o público em pé, ovacionando, cantando junto até o último acorde e selando uma noite que deve ficar na memória de muita gente.

Setlist:
Creepshow
Reach Out for the Light (com Adrienne Cowan)
The Witch (com Tommy Karevik)
Devil in the Belfry (com Herbie Langhans)
Phantasmagoria (com Ronnie Atkins)
Against the Wind (com Kenny Leckremo)
Dying for an Angel (com Tommy Karevik)
Avalon (com Adrienne Cowan)
Promised Land (com Ronnie Atkins e Kenny Leckremo, sem Tobias Sammet)
Avantasia (com Tommy Karevik)
Let the Storm Descend Upon You (com Ronnie Atkins e Herbie Langhans)
The Toy Master
Twisted Mind (com Tommy Karevik e Ronnie Atkins, sem Tobias Sammet)
The Wicked Symphony (com Tommy Karevik e Kenny Leckremo, sem Tobias Sammet)
Shelter from the Rain (com Herbie Langhans e Kenny Leckremo, sem Tobias Sammet)
Farewell (com Chiara Tricarico)
The Scarecrow (com Ronnie Atkins)
Bis:
No Return (com Kenny Leckremo) – dedicada a Andre Matos
Lost in Space (com Chiara Tricarico)
Sign of the Cross / The Seven Angels (com todo o elenco)

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