RESENHA: Between The Buried And Me – The Blue Nowhere (2025)

13/10/2025 // Home  »  DestaqueNotíciasResenha de Discos   »   RESENHA: Between The Buried And Me – The Blue Nowhere (2025)

Texto por Thiago Rahal Mauro
Gravadora: Shinigami Records/InsideOut Music
Compre no Brasil: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503283-Between-The-Buried-And-Me—The-Blue-Nowhere

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Com mais de duas décadas de carreira, o Between The Buried And Me lança “The Blue Nowhere”, seu 11º álbum de estúdio, pela Shinigami Records no Brasil e InsideOut Music pelo mundo. O grupo norte-americano mantém sua reputação de unir metal progressivo, técnica apurada e conceitos abstratos, mas desta vez aposta em uma abordagem mais contida, introspectiva e menos grandiosa do que em trabalhos anteriores. O conceito parte da ideia de um hotel imaginário — o “Blue Nowhere” — que representa um espaço simbólico de isolamento e reflexão. Tommy Rogers explica esse local como um refúgio interno, onde se perde o contato com a realidade e se confronta a própria solidão. Essa metáfora orienta o clima melancólico e por vezes enigmático que domina o disco.

A abertura com “Things We Tell Ourselves in the Dark” apresenta um baixo marcante de Dan Briggs e uma estrutura que alterna peso e groove de forma natural. É uma faixa que equilibra bem a técnica e a melodia, funcionando como uma introdução eficiente ao universo do álbum. Em seguida, “God Terror” surge mais direta e agressiva, com riffs dissonantes e mudanças de andamento típicas do Between The Buried And Me, mas com um refrão mais acessível e limpo, contrastando com a brutalidade dos versos. Já “Absent Thereafter” é o ponto mais equilibrado do disco, mesclando passagens melódicas e climáticas com momentos de intensidade emocional, resultando em uma das canções mais completas e consistentes da banda nos últimos anos.

“Pause” funciona como um interlúdio atmosférico, centrado em teclados e vocais processados, preparando o terreno para “Door #3”, uma faixa mais experimental e fragmentada, que mistura riffs quebrados e grooves jazzísticos, mas que por vezes perde o foco na estrutura. A curta “Mirador Uncoil” funciona como uma vinheta instrumental com arranjos orquestrais, criando uma boa transição para a segunda metade do álbum.

O trecho mais ambicioso vem com “Psychomanteum”, uma peça extensa que alterna calmaria e caos, em que o vocalista Tommy Rogers entrega uma das interpretações mais intensas do disco ao repetir a frase “sit with yourself in silence”. A faixa tem momentos poderosos, mas sua duração excessiva enfraquece o impacto. O mesmo vale para “Slow Paranoia”, que explora contrastes entre jazz, metal extremo e seções atmosféricas, impressionando pela execução, mas soando mais como uma demonstração de habilidade do que uma composição coesa.

A faixa-título “The Blue Nowhere” é mais acessível, com elementos eletrônicos e um refrão melódico que remete a trabalhos mais recentes da banda. Aqui o conceito do álbum se torna mais claro, transmitindo a sensação de isolamento e introspecção que o permeia. O encerramento com “Beautifully Human” é o ponto mais emotivo, conduzido por piano e vocais limpos, encerrando o álbum de forma sensível e coerente.

A produção de The Blue Nowhere é precisa e detalhada, destacando a técnica individual de cada músico. Tommy Rogers se mantém versátil entre vocais agressivos e melodias suaves, Paul Waggoner entrega guitarras precisas e dinâmicas, enquanto Dan Briggs e Blake Richardson sustentam a base rítmica com solidez e fluidez. O entrosamento da banda continua evidente, embora o resultado geral soe mais seguro do que inovador.

No fim, The Blue Nowhere é um álbum consistente e tecnicamente refinado, mas que dificilmente surpreenderá quem já acompanha o Between The Buried And Me. É um trabalho que consolida o estilo da banda, mantendo o equilíbrio entre peso e progressividade, mas sem o mesmo impacto emocional ou senso de descoberta de seus melhores momentos.

Tracklist:

Things We Tell Ourselves In The Dark
God Terror
Absent Thereafter
Pause
Door #3
Mirador Uncoil
Psychomanteum
Slow Paranoia
The Blue Nowhere
Beautifully Human

Formação:
Tommy Rogers – vocal / teclados
Paul Waggoner – guitarras
Dan Briggs – baixo / teclados
Blake Richardson – bateria / percussão





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