
Baixista fala sobre futuro da banda, saída de Nicko McBrain e o desafio de manter o nível nas turnês
Prestes a completar 70 anos em março de 2026, Steve Harris garante que ainda não pensa em encerrar a trajetória com o Iron Maiden. Em nova entrevista a Sam Law, da revista Kerrang!, repercutida pelo site Blabbermouth, o baixista e líder da banda afirmou que segue focado nas turnês e em aproveitar cada show enquanto tiver condições físicas e artísticas de se manter no mais alto nível.
“Não estou pensando em aposentadoria”, resumiu. “Mas todos nós sabemos que isso vai chegar em algum momento, quando você for forçado por uma coisa ou outra. Eu ainda me mantenho em forma, jogando futebol, tênis e outras coisas, mas você nunca sabe o que está à espreita na próxima esquina. Por isso é preciso aproveitar ao máximo enquanto dá, sair por aí e curtir cada show pelo que ele é. Venho dizendo isso nos últimos 10 anos, mas agora é mais verdadeiro do que nunca.”
Falando em meio à turnê por casas de pequeno porte no Reino Unido com o British Lion, seu projeto paralelo de longa data, Harris admitiu que a ideia de desacelerar o assusta. “Tenho medo de parar, de certo modo, medo de reduzir o ritmo. Mas fazer shows como estes traz de volta aquela sensação antiga. Eles são muito parecidos em vários aspectos. É sobre aquela sensação de estar lá fora lutando pela banda, tentando colocar o máximo de pessoas possível dentro dos shows, provando a cada noite que você merece chegar exatamente onde quer chegar.”
No início de 2025, o guitarrista Dave Murray também abordou o tema, destacando que o próprio Iron Maiden saberá o momento certo de se despedir. Em declaração ao Music Radar, ele foi direto: “Para mim, não há nada pior do que ver uma banda que você gosta no palco e sentir que eles já não deveriam estar ali fazendo aquilo. Estamos quase chegando na casa dos 70 agora, mas acho que todos nós saberemos quando chegar a hora. Vai ser uma decisão mútua.”
“Existe um tempo e um lugar para sair de cena com dignidade e elegância — em vez de ficar arrastando as coisas”, completou. “Se você consegue encerrar em um nível alto e depois se retirar com graça, acho que isso seria satisfatório para nós. E não ficar apenas ‘chicoteando um cavalo morto’, quando você já faz isso pelos motivos errados.”
Murray se referia ao contexto da turnê mundial Run For Your Lives, iniciada em maio de 2025, na Hungria. “Estamos totalmente preparados para esta turnê, e depois vamos ver o que o futuro reserva. Mas, no momento, a banda está soando ótima, ainda sentimos aquela empolgação e adrenalina quando subimos ao palco. Ainda estamos nos divertindo, e no fim das contas é disso que se trata.”
A discussão sobre futuro e longevidade ganhou ainda mais peso após a aposentadoria de Nicko McBrain. O baterista histórico do Iron Maiden fez seu último show com a banda em São Paulo, no Allianz Parque, em 7 de dezembro de 2024. Aos 73 anos, o músico britânico anunciou oficialmente sua saída das turnês em comunicado no site e nas redes sociais do grupo, ressaltando que seguiria ligado ao Maiden em “diversos projetos”, além de se dedicar a empreendimentos pessoais e negócios já existentes.
No dia seguinte, em 8 de dezembro de 2024, a banda confirmou Simon Dawson como novo baterista de turnê. Além do currículo como músico de estúdio, ele é parceiro de longa data de Steve Harris no British Lion, o que facilitou a transição em meio ao calendário intenso de apresentações.
O tema aposentadoria, no entanto, não é novo no universo do Maiden. Ainda em 2019, Harris já havia afirmado ao programa “Trunk Nation With Eddie Trunk”, da SiriusXM, que não havia planos concretos de parar, mesmo com todos os integrantes na faixa dos 60 anos. “Todos nós sentimos que, se um dia percebemos que não estamos mais dando conta, vamos conversar sobre isso e provavelmente será o fim”, disse. “Mas, neste momento, não nos sentimos assim. Sentimos que ainda estamos, digamos, ‘puxando o nosso peso’. Estamos indo bem. Até aqui, tudo bem. Não quero azarar, mas estamos indo bem.”
Em 2022, foi a vez de Bruce Dickinson reforçar a ideia de continuidade. Em entrevista ao programa de rádio Full Metal Jackie, o vocalista comentou, em tom bem-humorado, que o plano é seguir em frente enquanto houver saúde e tesão pelo palco. “Não estamos planejando nos aposentar, de forma alguma. Acho que provavelmente vamos cair duros no palco. Consigo pensar em lugares piores para cair duro”, brincou. “Todos nós ainda estamos mandando ver, cheios de energia e entusiasmo.”
Bruce também destacou a força do público multigeracional do Maiden, que ajuda a manter o grupo relevante para além de qualquer discussão sobre idade. “Temos gerações de fãs agora”, explicou. “Metade da plateia é da minha idade, mas a outra metade muitas vezes é muito, muito mais jovem. Isso é brilhante. Temos essa coisa intergeracional acontecendo. E nos shows do Maiden isso é ainda mais forte. E há um número enorme de mulheres. É fantástico. Lá no começo dos anos 80, o clichê era que o heavy metal era algo misógino, dominado por homens… Mas isso não é verdade. Há muitas e muitas fãs de heavy metal que são meninas.”









