Paradise Lost ainda paga royalties às famílias das vítimas de Charles Manson por causa de “Forever Failure”

14/10/2025 // Home  »  DestaqueNotícias   »   Paradise Lost ainda paga royalties às famílias das vítimas de Charles Manson por causa de “Forever Failure”

Paradise Lost

Banda britânica revelou que, desde os anos 1990, parte dos lucros da canção é destinada às famílias das vítimas do líder de seita Charles Manson.

Nos primeiros anos da década de 1990, o Paradise Lost emergia como um dos nomes mais influentes da cena metal britânica. O grupo, formado em Halifax, no norte da Inglaterra, construiu sua reputação com uma sonoridade densa, melancólica e inovadora, que viria a moldar o metal gótico dos anos seguintes. Entre 1990 e 1993, a banda lançou quatro discos em rápida sucessão — entre eles Gothic (1991) e Icon (1993) —, dois álbuns que redefiniram os limites entre o doom e o metal melódico. No entanto, o ritmo intenso de turnês e gravações começou a cobrar seu preço. Quando entraram em estúdio em 1995 para gravar o quinto álbum, Draconian Times, os integrantes confessaram estar física e mentalmente esgotados. “Era um ciclo sem fim: gravar, sair em turnê, voltar e gravar de novo. Quase não tínhamos tempo de ir para casa”, relembrou o guitarrista Gregor Mackintosh em entrevista à Metal Hammer.

Apesar do cansaço, o resultado foi um dos maiores marcos da discografia do grupo. Draconian Times levou o Paradise Lost ao auge criativo e comercial, alcançando a 16ª posição nas paradas britânicas e consolidando o estilo que o tornaria referência no metal gótico.

Entre as faixas do álbum, “Forever Failure” ganhou destaque por sua atmosfera sombria e introspectiva. A canção carrega guitarras melódicas, vocais melancólicos de Nick Holmes e uma produção refinada que mistura peso e sensibilidade. O detalhe mais marcante, porém, está na inclusão de um sample de voz do notório Charles Manson, líder da seita responsável por uma série de assassinatos brutais nos anos 1960, incluindo o da atriz Sharon Tate.

Segundo Mackintosh, a ideia surgiu após os músicos assistirem ao documentário The Man Who Killed The Sixties, no qual Manson faz uma reflexão sombria sobre sua própria imagem e a sociedade da época. “Aquela fala parecia resumir o espírito da música”, contou o guitarrista. “Decidimos incluí-la, sem imaginar a dor de cabeça legal que isso nos causaria depois.”

Ao tentar obter autorização para o uso do áudio, a banda descobriu que os direitos sobre as gravações de Manson estavam vinculados a acordos judiciais que garantiam compensações às famílias das vítimas. Assim, para utilizar o trecho, o Paradise Lost precisou aceitar pagar royalties vitalícios sempre que a música fosse reproduzida comercialmente.

“Tivemos que pagar royalties às famílias das vítimas de Charles Manson por causa da música. E fazemos isso desde então”, revelou Mackintosh à Metal Hammer.

O guitarrista também explicou que a decisão gerou controvérsias internas e resistência de empresários e executivos da gravadora, preocupados com a repercussão ética e legal da escolha. “Nosso empresário não ficou nada feliz, mas Nick [Holmes] estava decidido. Ele achava que o trecho dava um peso emocional único à canção — e, de fato, deu.”

Apesar da polêmica e do resultado modesto nas paradas (a faixa chegou apenas à 66ª posição no Reino Unido), “Forever Failure” tornou-se uma das músicas mais simbólicas da carreira do Paradise Lost, tanto pela sonoridade quanto pela história que carrega. A faixa consolidou o tom introspectivo e existencial da banda, transformando-se em um hino entre fãs do metal gótico e doom.

O site brasileiro Mundo Metal destacou recentemente o caso, relembrando como “Forever Failure” continua sendo uma peça central na trajetória do grupo. A publicação ressalta que o episódio mostra como decisões artísticas podem gerar consequências duradouras, especialmente quando envolvem figuras controversas. Segundo o portal, “mesmo décadas depois, o Paradise Lost mantém o compromisso de repassar as compensações, transformando a canção em um símbolo involuntário de justiça e memória.”

Desde então, Draconian Times permanece como o ápice criativo da banda e uma referência incontornável no metal dos anos 1990. Em 2020, o álbum ganhou uma reedição comemorativa de 25 anos, reacendendo o interesse de fãs e críticos por sua produção impecável e por histórias como a de “Forever Failure”.

“Não mudaria nada nessa música”, concluiu Mackintosh. “Ela representa exatamente o que éramos naquele momento , sombrios, sinceros e determinados a fazer algo diferente.”

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