
Guitarrista definiu o som e a identidade de uma das bandas mais influentes do rock mundial
A trajetória de Ace Frehley no Kiss é inseparável da história do rock dos anos 1970. Como guitarrista original e cofundador da banda, Frehley ajudou a criar uma sonoridade inconfundível, marcada por riffs poderosos, solos melódicos e uma atitude que transformou o grupo em um ícone cultural. Sua presença foi decisiva tanto no estúdio quanto no palco, onde seu personagem “Spaceman” se tornou um símbolo da estética extravagante e teatral do Kiss.
Entre 1973 e 1982, e novamente entre 1996 e 2002, Ace participou de álbuns fundamentais que moldaram o som do hard rock. A seguir, uma retrospectiva dos discos e músicas essenciais que melhor representam sua contribuição artística.
O álbum de estreia “Kiss” (1974) apresentou a banda ao mundo com um som cru e direto. Frehley se destacou com “Cold Gin”, composição sua que capturou o espírito do rock de bar dos anos 70 e se tornaria presença constante nos shows. No mesmo ano, “Hotter Than Hell” trouxe uma pegada mais pesada, com “Parasite” e “Strange Ways”, canções que exibem os riffs densos e a guitarra cortante que fariam a fama do músico.
Em “Dressed to Kill” (1975), a banda refinou a fórmula. Apesar de “Rock and Roll All Nite” ser o hino do grupo, o trabalho de Frehley em faixas como “She” e “Love Her All I Can” consolidou seu estilo: solos curtos, precisos e com identidade própria. Ainda em 1975, o disco ao vivo “Alive!” elevou o Kiss ao estrelato. O registro capta o poder do grupo no palco e mostra Ace em sua melhor forma, especialmente em “100,000 Years” e “She”, que ganharam versões incendiárias.
O sucesso levou ao ambicioso “Destroyer” (1976), produzido por Bob Ezrin. Mesmo com arranjos mais elaborados, a guitarra de Frehley manteve o peso em músicas como “Detroit Rock City” e “Flaming Youth”. No mesmo ano, o álbum “Rock and Roll Over” recuperou o som direto do início, com destaques para “Calling Dr. Love” e “Makin’ Love”, ambas com solos marcantes e execução precisa.
Em “Love Gun” (1977), Ace deu um passo além ao assumir os vocais em “Shock Me”, inspirada em um acidente elétrico que sofreu em um show. O solo da faixa se tornou um dos mais emblemáticos de toda a discografia do Kiss, um marco de técnica e carisma.
Um ponto alto da carreira de Ace dentro do Kiss veio em 1978, quando cada integrante lançou um álbum solo com o próprio nome, mas sob o selo da banda. O disco “Ace Frehley” destacou-se entre os quatro lançamentos e é frequentemente considerado o mais bem-sucedido, tanto pela crítica quanto pelo público. Produzido por Eddie Kramer, o trabalho apresentou uma sonoridade coesa, próxima ao que o Kiss fazia de melhor, mas com um toque mais pessoal.
O álbum trouxe o hit “New York Groove”, composição de Russ Ballard que se tornou um sucesso mundial e levou Ace ao topo das paradas. Outras faixas, como “Rip It Out”, “Snow Blind” e “Ozone”, mostraram sua habilidade como compositor e instrumentista. Frehley tocou grande parte dos instrumentos e consolidou sua imagem de artista completo, capaz de sustentar uma carreira solo de forma autêntica.
Com “Dynasty” (1979), o Kiss experimentou o som da disco music, mas Frehley manteve o peso do rock em “2,000 Man”, uma releitura dos Rolling Stones que ganhou toques futuristas e consolidou seu talento para reinventar clássicos.
Ace Frehley foi mais do que o guitarrista solo do Kiss. Sua presença moldou o timbre, a atitude e a linguagem musical da banda. Canções como “Cold Gin”, “Parasite”, “Shock Me” e “New York Groove” permanecem como pilares de sua obra e mostram um músico que combinava técnica, melodia e personalidade.









