
Músico sofreu uma hemorragia cerebral após uma queda em estúdio; ícone do rock deixa um legado que atravessa gerações
O mundo do rock perdeu nesta quinta-feira (16) uma de suas figuras mais emblemáticas. Ace Frehley, guitarrista fundador do Kiss e responsável por dar forma ao som e à estética da banda em seus anos mais criativos, morreu aos 74 anos. O músico estava internado e sob suporte de vida após sofrer uma hemorragia cerebral decorrente de uma queda em seu estúdio, ocorrida há algumas semanas.
A família confirmou o falecimento em comunicado divulgado à imprensa, expressando profunda tristeza pela perda do artista.
“Estamos completamente devastados e de coração partido. Em seus últimos momentos, tivemos a sorte de poder cercá-lo com palavras, pensamentos e orações de amor e paz enquanto ele deixava esta Terra. Guardamos todas as suas melhores lembranças, seu riso, e celebramos a força e a bondade que ele ofereceu aos outros. A magnitude de sua partida é de proporções épicas e além da compreensão. Refletindo sobre todas as suas incríveis realizações de vida, a memória de Ace continuará viva para sempre”, afirmou a nota enviada à Variety.
A morte de Frehley ocorre menos de duas semanas após o cancelamento de todos os compromissos de sua turnê de 2025, anunciado por “motivos médicos”. Inicialmente, o guitarrista havia interrompido apenas uma apresentação na Califórnia após o acidente doméstico, mas o quadro evoluiu de forma inesperada. O artista permaneceu hospitalizado desde então e, segundo familiares, não resistiu às complicações.
De Nova York para o mundo
Nascido Paul Daniel Frehley, em 27 de abril de 1951, no Bronx, em Nova York, o guitarrista cresceu em meio à efervescência cultural da cidade e descobriu cedo sua paixão pela música. Em 1973, respondeu a um anúncio de jornal que buscava músicos para uma nova banda. A audição o colocou ao lado de Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss, e dali surgiria o Kiss, um dos grupos mais influentes e visualmente marcantes da história do rock.
Frehley criou a persona “Spaceman”, com maquiagem prateada e visual futurista, que se tornou símbolo da identidade teatral da banda. Seu estilo de tocar — repleto de riffs energéticos, solos melódicos e timbres de guitarra inconfundíveis — ajudou a consolidar o som característico do Kiss e inspirou gerações de guitarristas ao redor do mundo.
Durante sua primeira passagem pela banda, entre 1973 e 1982, Ace assinou composições que se tornaram clássicos, como Shock Me, Cold Gin e Rocket Ride. Foi também o primeiro dos integrantes a alcançar sucesso individual com seu álbum solo, lançado simultaneamente aos dos colegas em 1978. O disco, simplesmente intitulado Ace Frehley, vendeu mais que os outros três trabalhos solo e gerou o hit New York Groove, que permanece um hino para os fãs.
Saídas, retornos e renascimento solo
Após anos de sucesso, conflitos internos e o desgaste das turnês levaram Frehley a deixar o Kiss em 1982. Ele retornaria em 1996, quando o grupo promoveu uma turnê mundial com a formação original, usando novamente os trajes e maquiagens que marcaram época. O reencontro durou até 2002, quando ele se desligou definitivamente da banda após o encerramento da primeira “farewell tour”.
Mesmo fora do Kiss, Frehley manteve carreira ativa e independente. Seus álbuns Anomaly (2009), Space Invader (2014) e Spaceman (2018) consolidaram sua reputação como músico solo respeitado e criativo. O último trabalho de estúdio, 10,000 Volts, lançado em fevereiro de 2024, mostrou um artista ainda conectado ao espírito do rock clássico, mas disposto a atualizar seu som.
No momento de sua morte, Ace trabalhava em “Origins Vol. 3”, sequência das coletâneas de covers lançadas em 2016 e 2020, nas quais revisitava músicas que moldaram sua trajetória.
Um símbolo duradouro do rock
Ace Frehley foi mais que o guitarrista do Kiss: ele se tornou um ícone cultural, figura central na consolidação do rock como espetáculo visual e emocional. Sua presença de palco, misto de carisma e mistério, fez dele um herói improvável — um músico que, apesar das crises e afastamentos, manteve o respeito da crítica e o amor dos fãs.
O impacto de sua obra pode ser medido pelo número de artistas que o citam como influência direta — de Dave Grohl e Slash a Dimebag Darrell e Tom Morello. Em 2014, ele foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame junto com os demais membros originais do Kiss.
Em entrevistas recentes, Frehley mostrava-se satisfeito com sua carreira solo e rejeitava convites para retornar à banda, afirmando estar “se divertindo demais fazendo suas próprias coisas”. Em uma de suas últimas declarações públicas, disse esperar que um dia pudesse ser reconhecido individualmente pelo Hall da Fama.
A morte de Ace Frehley representa uma perda irreparável para o rock. Mais do que um guitarrista, ele foi um dos arquitetos sonoros e visuais de uma era em que o gênero dominava o mundo. Sua imagem, sua guitarra e sua atitude permanecem eternas na história da música — e em cada fã que aprendeu a sonhar com as estrelas ao som de sua guitarra espacial.









