
Guitarrista detalha nova formação, garante respeito ao legado de Warrel Dane, comenta ausência de Jim Sheppard e adianta planos de turnê e novo álbum
Com show confirmado no Bangers Open Air 2026, em São Paulo, o Nevermore se prepara para voltar aos palcos em grande estilo. Em entrevista a Sefo, do VegaTrem, e transcrito pelo Blabbermouth, o guitarrista Jeff Loomis falou em detalhes sobre o retorno da banda que marcou o metal progressivo e extremo nos anos 90 e 2000. Agora ao lado do baterista Van Williams, ele prepara um novo álbum de estúdio e uma agenda de festivais e shows para 2026.
Jeff contou que a ideia de retomar o Nevermore vem de longa data. “Foi algo sobre o qual eu tenho conversado com o Van Williams por, eu diria, três anos, sobre reformar o Nevermore”, revelou. A grande questão sempre foi o respeito à memória do vocalista Warrel Dane, morto em dezembro de 2017. “O assunto sempre aparece: é apropriado fazer isso quando o cantor falece, ou algo assim. Eu acho que sim. Acho que existem coisas que ficaram por dizer, e acho que tínhamos mais coisas a dizer musicalmente”, afirmou. “É lamentável que o Warrel Dane tenha falecido — ele foi um dos meus melhores amigos — mas eu realmente acredito que o Van, eu e o resto da nova banda vamos fazer jus à música, e já estamos agendando shows para 2026.”
Nova formação em segredo e busca criteriosa por músicos
Um dos temas que mais têm movimentado os fãs é a nova formação. Por enquanto, os nomes permanecem em sigilo. “Estamos segurando os nomes dos integrantes do novo Nevermore, simplesmente porque existe muita crítica online hoje em dia, gente apontando o dedo e dizendo ‘ah, vocês deveriam ter chamado tal pessoa ou tal pessoa’”, explicou Jeff.
“Vamos esperar até o primeiro show e fazer um anúncio antes disso, provavelmente em algum momento de março. E vamos anunciar os novos membros. Eles são extremamente talentosos. Conhecem o material do Nevermore e são grandes fãs da banda. Escolhemos pessoas que são excelentes músicos. Realmente gastamos tempo procurando as pessoas certas. Passamos por cerca de setecentas submissões, e levou um bom tempo para conferir todo mundo. Isso começou basicamente há um ano. Então, o Van e eu começamos a procurar novos músicos há cerca de um ano. Desde então já conquistamos muita coisa. Há novos shows sendo agendados, temos vários festivais chegando em 2026 e eu também estou trabalhando na composição de um novo álbum do Nevermore. Então, muitas coisas empolgantes vindo aí para 2026. Estamos muito animados para voltar a tocar aquelas músicas que as pessoas querem ouvir dos nossos primeiros álbuns, além de coisas novas e uma nova direção.”
“Vai ser um álbum pesado”: o novo Nevermore em estúdio
Sobre o material inédito, Loomis não deixou dúvidas sobre a direção musical. “Vai ser um álbum pesado. Vai ter todas as qualidades do Nevermore que você espera, com aquele aspecto pesado. Estamos muito empolgados”, adiantou.
Ele destacou que a nova formação não será apenas “de apoio”, mas parte ativa do processo criativo. “Com a contribuição de todo mundo na banda, vai ser muito legal. Os músicos são absolutamente fantásticos e conseguem tocar tudo perfeitamente, e o cantor é capaz de cantar quase exatamente como o Warrel. Mas ele também tem uma voz death metal, tem diferentes maneiras de usar a voz, e queremos aproveitar isso. Então, vai ser legal. Vamos ver o que acontece.”
Saída do Arch Enemy e foco em seguir o próprio caminho
Loomis também falou sobre o período em que esteve no Arch Enemy e como essa fase se conecta com o retorno do Nevermore. “Tive uma vida fantástica até aqui. Passei dez anos no Arch Enemy, pude excursionar pelo mundo com eles, são pessoas e músicos fantásticos, eu os amo. Somos todos muito próximos”, disse.
Ao mesmo tempo, ele sentiu a necessidade de seguir outro rumo. “Mas chegou um momento em que senti que precisava fazer minha própria coisa. Isso é importante para mim. Se você está sentindo algo, precisa seguir esse sentimento. Então eu tive que me despedir do Arch Enemy e seguir na minha própria direção. Estou muito feliz por ter feito isso, porque agora posso focar mais na minha música e simplesmente ser eu mesmo. E vamos ver aonde isso leva.”
A ausência de Jim Sheppard e as mágoas expostas
A ausência do baixista original Jim Sheppard no retorno do Nevermore vem gerando discussões entre os fãs. Em janeiro de 2025, em declaração ao Blabbermouth, ele relembrou o início da banda: “No meu coração, o Nevermore será sempre o Warrel, o Jeff e eu vivendo em um apartamento de um cômodo, escravos de uma máquina de oito canais, compondo sem parar em uma insanidade criativa. Éramos determinados, éramos famintos… Para citar Dave Mustaine, estávamos prontos para ‘sorrir, comer merda e pedir mais’.”
Aposentado e morando no Alasca, Jim admitiu decepção por não ter sido procurado: “Meu sentimento em relação ao comunicado de imprensa do Van e do Jeff é: o Van me pareceu autopromocional e o Jeff soou muito sincero; ele realmente quer capturar um pouco da magia que tivemos. Estou desapontado porque ninguém entrou em contato comigo sobre o nome Nevermore, um nome que significa sangue, suor e lágrimas. Dito isso, desejo o melhor a eles.”
Van Williams, por sua vez, já havia explicado a decisão de seguir sem o baixista original. “Algumas pessoas acham que é desrespeitoso não envolver o Jim ou informá-lo dos nossos planos. Mas quem pensa assim não conhece a história da banda ou a dinâmica de bastidores que levou a essa decisão”, afirmou.
“Sentimos que, às vezes, em nome de um novo começo, é necessário seguir em frente a partir de relações que talvez não sejam mais favoráveis ao crescimento ou a novos recomeços. Tomamos essa decisão com a intenção de honrar o legado da banda, ao mesmo tempo em que seguimos em frente de uma maneira que parecia certa para nós naquele momento. Dito isso, desejamos saúde a ele e ele é livre para seguir o caminho que quiser. Sem entrar em muitos detalhes, só vou dizer que respeito é uma via de mão dupla, e certas coisas se tornaram irreconciliáveis com o tempo para nós… Eu queria que a situação com o Jim fosse diferente, mas o passado nos trouxe até aqui.”
O baterista também se posicionou contra a ideia de que o retorno seria um “money grab”. “A maioria dos músicos não faz isso por dinheiro. Passamos incontáveis horas ao longo dos anos suando, ensaiando, tocando e gravando simplesmente porque amamos isso. Foi o que escolhemos fazer na vida. É isso que nos move, a paixão pela música, a conexão com os fãs e o processo criativo. Se o dinheiro vem disso, ótimo, mas nunca foi o foco, embora também tenhamos contas a pagar como qualquer pessoa.”
Legado de Warrel Dane e o desafio de um novo capítulo
Jeff Loomis reforçou o cuidado em manter vivo o espírito da banda, especialmente no que diz respeito a Warrel Dane. “Ninguém pode substituir o Warrel Dane. Ponto. Com suas melodias interessantes e carisma no palco, ele foi uma força que era uma parte enorme da banda tanto liricamente quanto espiritualmente”, destacou. “Dito isso, não estamos procurando um clone do Warrel Dane. Procuramos alguém que consiga sustentar as músicas antigas do Nevermore com o seu estilo vocal, e alguém que possa adicionar algo novo e refrescante ao próximo capítulo da banda. Obviamente, isso não será a coisa mais fácil do mundo.”
O Nevermore, na prática, encerrou suas atividades em 2011, quando Loomis e Williams deixaram o grupo por diferenças pessoais com Warrel e Jim. Anos depois, o vocalista morreu em São Paulo enquanto gravava o álbum solo póstumo “Shadow Work”, após um ataque cardíaco. Segundo o guitarrista Johnny Moraes, que integrava sua banda solo, Warrel já tinha a saúde bastante fragilizada por diabetes e problemas com álcool, mas mesmo assim havia voltado ao estúdio e iniciado as gravações de vocais para o sucessor de “Praises To The War Machine”, de 2008.
Agora, com um novo vocalista, uma nova formação, um disco inédito “pesado” a caminho, presença confirmada em festivais como o Bangers Open Air 2026 e shows já sendo planejados para o ano que vem, Jeff Loomis e Van Williams prometem um Nevermore fiel à própria essência, mas pronto para escrever um novo capítulo na história de uma das bandas mais cultuadas do metal moderno.









