Entrevista: Velmas consolida identidade autoral, aposta em single “Queda Livre” e prepara álbum com som mais denso

23/01/2026 // Home  »  DestaqueEntrevistasNotícias   »   Entrevista: Velmas consolida identidade autoral, aposta em single “Queda Livre” e prepara álbum com som mais denso

Entrevista por Thiago Rahal Mauro

Por @johnlvs 2

Crédito por @jhnlvs

Banda paulistana comenta a virada dos covers para o repertório próprio, fala sobre processo criativo coletivo, destaca a força de uma formação 100% feminina e adianta novas experimentações para o próximo disco.

A Velmas nasceu em São Paulo a partir do encontro de pessoas com referências diferentes, e foi justamente dessa mistura que a banda começou a reconhecer uma “cara” própria. Em entrevista ao Onde o Rock Acontece, as integrantes lembram que a identidade se desenhou primeiro nas releituras que ganhavam uma essência “velmística”, até que a necessidade de transformar vivências, timbres e melodias em músicas autorais se tornou inevitável. Hoje, o grupo celebra a virada de chave que veio quando conseguiu sustentar um show inteiro com composições próprias, comenta a escolha de lançar a faixa em português “Queda Livre” e projeta um álbum cheio com sonoridade mais densa e novas camadas em estúdio.

Onde o Rock Acontece: Vocês surgiram em São Paulo e rapidamente construíram uma identidade. Qual foi o momento em que vocês perceberam que a banda tinha “cara” e direção própria, e não era só uma reunião de referências?

Dani: Foi de uma forma bem natural. A banda nasceu de um encontro de pessoas muito diferentes, com gostos diferentes. O que saiu disso foi basicamente uma grande mixologia de tudo que somos. A identidade foi tomando forma com os covers que escolhemos. E, a cada encontro, a cada ensaio, a cada cover transformado numa essência “velmística”, começamos a entender que tínhamos uma identidade própria. E essa identidade precisava ser colocada pra fora com as nossas próprias músicas. Aos poucos, fomos trazendo apanhados de vivências, timbres e melodias e, aos poucos, tudo foi criando forma.

Onde o Rock Acontece: Quais foram os principais marcos da trajetória até aqui (primeiros shows, convites, conquistas e perrengues) que realmente mudaram o nível da banda?

Hendy: Um dos principais marcos da nossa trajetória foi a virada do repertório de covers para o autoral. Apesar de ter sido um processo gradual, o momento em que conseguimos sustentar um show inteiro só com músicas próprias foi uma verdadeira virada de chave pra banda. As versões deixaram de ser o centro do show e passaram a funcionar como pontes entre os momentos, ajudando a construir a narrativa sem tirar o foco das nossas músicas.

Onde o Rock Acontece: A cena hoje cobra constância e conteúdo. Como vocês equilibram estratégia (lançamento, redes, clipes) com o lado artístico e o tempo de maturar as músicas?

Luisa: A gente faz as coisas com muita intencionalidade, então não costumamos gravar conteúdo só pra ter coisas novas no feed. Cada post, cada clipe, cada show rola por algum motivo. Não é sobre fazer volume, mas evoluir como banda, superar os nossos limites e fazer um som que realmente traduza o que a gente é. Pra gravar, tentamos definir uma janela de tempo que funcione com as nossas agendas (porque todo mundo tem outros trabalhos e projetos), mas também respeite a evolução das músicas. Geralmente, as músicas vão surgindo e acabam se agrupando naturalmente, e daí entendemos se aquilo é um EP, um single ou um álbum. Gostamos de tocar ao vivo as músicas novas algumas vezes pra sentir como elas serão recebidas, e isso define muito quais serão gravadas de fato.

Onde o Rock Acontece: Como funciona a dinâmica criativa entre vocês: quem puxa a ideia inicial, como as músicas ganham forma no ensaio e o que costuma gerar mais debate na hora de finalizar?

Luisa: Costuma variar, mas geralmente alguém chega com um conceito ou com alguma letra já quase toda pronta e com uma intenção, e isso determina muito como vai ser a sonoridade. O trabalho mais coletivo rola nos encontros que a gente faz pra subir a estrutura da música mesmo e testar arranjos, e daí pra frente vamos lapidando em estúdio pra entender o diferencial daquela música e como ela vai mostrar a nossa identidade.

Onde o Rock Acontece: Ao vivo, qual é a “versão definitiva” da banda: mais crua, mais pesada, mais climática? E o que vocês querem que o público leve do show além da música?

Dani: Nossas autorais seguem um teor mais raivoso. A maioria delas nasceu de angústias antigas. Gritos adormecidos que submergiram. Então, no palco, essa densidade toma forma. Nosso show é denso, mas não de uma forma desconfortável. Trazemos as pessoas pra perto da nossa narrativa, uma vez que cantamos sobre vivências reais. Vivências essas que as pessoas se identificam.

Onde o Rock Acontece: Como mulheres no rock, o que mudou nos últimos anos e o que ainda é obstáculo real nos bastidores (respeito, estrutura, oportunidades, julgamento)? E como vocês lidam com isso sem deixar que esse tema vire a única lente sobre a banda?

Luisa: Existem muitas camadas por trás da nossa escolha de ter uma banda 100% feminina, e só a última delas é o fato de estarmos lutando contra “obstáculos”. Felizmente, a nossa história é mais marcada por aceitação e respeito do que preconceito. Não que a gente não tenha passado por situações chatas, porque elas acontecem e vamos lutar pra que não aconteçam. Mas o mais importante é o que a gente ganha por ser uma banda de mulheres. Falamos a mesma língua, entendemos as tretas de cada uma, e isso cria a nossa sinergia. Então, qualquer viés negativo ou comentário idiota que a gente encontre pelo caminho vira secundário.

Onde o Rock Acontece: Vocês já tinham lançado o EP “Witch in the Making”. O que aquele EP representa na história da banda hoje e, olhando para trás, o que vocês fariam diferente nele?

Bárbara: “Witch in the Making” é o início da nossa carreira autoral, é como nos apresentamos como uma banda para o mundo. Temos muito orgulho de ter dado esse passo. Quando compomos as músicas, foi tudo muito rápido e até impulsivo, mas necessário para estarmos aqui hoje. Não mudaria em nada. Acho que a crueza e a sonoridade representam bem a fase da banda. É uma porta de entrada para o que queremos desenvolver agora.

Onde o Rock Acontece: Depois do EP, quais aspectos vocês sentem que mais evoluíram: composição, timbres, performance, letras, ou a confiança de assumir uma assinatura própria?

Bárbara: Estamos evoluindo bastante as composições e letras, encontrando um aprofundamento dos temas que iniciamos com “Witch in the Making”. As novas composições têm um som mais denso, a Dani tem experimentado com um pedal de voz, temos usado mais compassos complicados, mudanças bruscas de dinâmica. Temos pensado mais nos detalhes de cada composição, e tudo isso ainda pode mudar no momento que pisamos no estúdio e temos a liberdade de adicionar novas camadas. Trabalhamos com o produtor Daniel Stunges, do Elektro Studio, que é essencial para dar forma às nossas ideias.

Onde o Rock Acontece: Sobre “Queda Livre”: por que decidiram lançar uma música em português agora e o que isso muda no jeito de compor e de se comunicar com o público?

Luisa: “Queda Livre” surgiu de uma forma muito espontânea, de uma letra que sempre foi em português. Conforme a gente trabalhava nela, ficava cada vez mais claro que ela não era só um experimento, mas uma forma de mostrar uma outra faceta nossa, mais crua e direta. Não teve uma grande estratégia por trás pra conseguir atingir um público novo, mas acabou que isso tem acontecido. Tem gente que descobriu a gente por ela e, depois de ouvir o EP, viu que temos outras influências, que as letras em inglês de “Witch in the Making” trazem uma gama maior de sentimentos.

Onde o Rock Acontece: Pensando no próximo passo grande: vocês já têm previsão para lançar um álbum cheio? Ele tende a seguir o caminho do EP, abraçar mais o português, ou misturar fases? O que já dá para adiantar sobre conceito e direção sonora?

Bárbara: Queremos produzir um álbum. Temos algumas composições prontas e outras sendo trabalhadas, e alguns conceitos bem estabelecidos. Tudo se desenvolve a partir das ideias iniciadas em “Witch in the Making” e, como disse anteriormente, a sonoridade mais densa e experimentações têm sido uma constante neste processo. Ainda estamos transitando entre o português e o inglês, não prevemos limitações nesse sentido. Também estamos buscando maneiras de financiar este projeto, a vida da banda independente não é fácil (risos).

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