ENTREVISTA: Ralf Scheepers fala sobre nova fase do Primal Fear, novo álbum, retorno de Mat Sinner e show no Bangers Open Air no Brasil em 2026

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Entrevista realizada por Thiago Rahal Mauro

Primal Fear 2025 Credit Heiko Roith

Crédito Foto: Heiko Roith

O vocalista Ralf Scheepers conversou com o site Onde o Rock Acontece logo após o fim da primeira etapa da Domination World Tour, que marcou o retorno do Primal Fear aos palcos com nova formação e a estreia do álbum Domination. Em uma conversa franca e cheia de detalhes, Scheepers falou sobre os bastidores da turnê, o processo criativo do disco, a volta de Mat Sinner e os desafios de manter a voz em alto nível após mais de quatro décadas de carreira.

Atualmente, o Primal Fear é formado por Mat Sinner (baixo), Ralf Scheepers (vocal), Magnus Karlsson (guitarra), André Hilgers (bateria) e Thalìa Bellazecca (guitarra). Essa nova fase trouxe não apenas uma renovação sonora, mas também uma energia revigorada nos palcos, algo que o público pôde sentir durante as primeiras apresentações da turnê. Scheepers destacou que a química entre os integrantes é excelente e que o clima dentro da banda nunca esteve tão positivo.

De volta de uma maratona de cinco semanas na estrada, o cantor celebrou o ótimo momento do grupo e a recepção calorosa dos fãs às músicas novas. O entrosamento no palco mostra que o Primal Fear continua em plena forma, mesmo após quase três décadas de história. Scheepers também comentou as recentes mudanças na formação e como a parceria com Sinner e Karlsson mantém a essência e a identidade musical da banda.

Durante a entrevista, o vocalista destacou o equilíbrio sonoro de Domination, álbum que combina peso, melodia e uma produção refinada. Scheepers revelou que o grupo compôs mais de 25 faixas antes de escolher as 15 que entraram no disco e explicou como cada membro contribui para o resultado final. Ele também comentou as letras intensas escritas por Sinner, especialmente em músicas como “Eden”, que refletem períodos desafiadores e trazem participações especiais como a da cantora Melissa Bonny.

Além de falar sobre o novo trabalho, Ralf relembrou o passado com o Gamma Ray, comentou sua admiração por Rob Halford e revelou planos para celebrar os 30 anos do Primal Fear. O músico também refletiu sobre a cena atual do heavy metal, a importância dos fãs sul-americanos e o legado construído pela banda. No fim da conversa, deixou uma mensagem especial ao público brasileiro, prometendo shows poderosos em 2026: “Estamos prontos e cheios de energia. Vai ser um prazer reencontrar vocês.”

Primal Fear 2025 04 Credit Roland Guth

Crédito Foto: Roland Guth

Confira a entrevista:

Onde o Rock Acontece: Vocês acabaram de voltar da primeira parte da Domination World Tour. Como foi a turnê e qual foi a reação dos fãs em relação às músicas novas?

Ralf Scheepers: Sim, tudo foi realmente positivo. Estou muito feliz porque a minha voz está cada vez melhor. Nunca tive menos problemas do que tive nessa turnê, e isso é ótimo, já que tenho feito meus exercícios e todo esse trabalho vocal. Estou realmente feliz com a minha voz. No último show, todo mundo estava doente, inclusive eu, mas conseguimos fazer o show e conseguimos chegar até o fim. Depois disso, todo mundo ficou completamente doente (risos). De qualquer forma, foi ótimo. Tocamos músicas novas, e o público as aceitou muito bem. A nova formação no palco está excelente, todos nós estamos nos dando muito bem, e isso é incrível. Tivemos ótimos momentos, cinco semanas na estrada juntos, e isso foi realmente, realmente fantástico.

Onde o Rock Acontece: Outra pergunta é sobre a reação dos fãs em relação à nova formação. Porque vocês mudaram três membros, e isso é difícil por causa da convivência, da vida na estrada… como tem sido a vida na banda com os novos integrantes?
Ralf Scheepers: Você está absolutamente certo, Thiago, não foi fácil para mim, já que eu estava em turnê com os outros membros há apenas um ano, inclusive na América do Sul. Tivemos bons momentos, e não posso dizer que, de um dia para o outro, alguém que era meu amigo virou meu inimigo. Fiquei realmente no meio de tudo isso, e não foi por minha causa. Um dos caras foi demitido porque dois deles já não se davam mais, e os outros dois permaneceram leais e seguiram com um dos lados. Então eu fiquei entre os dois lados, e passei por um momento difícil, uma semana bem complicada. Realmente pensei que isso poderia criar uma imagem muito ruim. Mas de alguma forma, permaneci ao lado do meu amigo e parceiro, Matt.

Também permaneci junto do grande time de compositores, Matt, Magnus e, como se pode ouvir no novo álbum, tudo está funcionando muito bem. Já disse isso antes e repito: Primal Fear está no meu coração e tatuado nos meus braços, então farei isso para sempre. Eu sei que, de vez em quando, aparecem alguns obstáculos que não são agradáveis e que nem sempre são fáceis de superar, mas passamos por isso. Agora, com toda essa nova equipe na estrada, temos um ótimo sentimento entre nós, e isso é o mais importante, Thiago.

Onde o Rock Acontece: E é muito bom ver o Mat Sinner de volta aos shows. Como é para você ter o Matt novamente? Porque… no último show que vi do Primal Fear em São Paulo, o Matt não estava lá, e a presença dele é algo muito importante para os fãs da banda.
Ralf Scheepers: Você tem razão. A presença dele é muito importante, o canto dele é muito importante, o jeito que ele toca é muito importante. A aura dele faz falta sempre que ele não está presente, então estamos todos muito felizes por tê-lo de volta.

Especialmente eu, quando voltamos a dividir o palco, foi algo realmente emocionante. Já no começo deste ano, quando fizemos o primeiro festival de verão, foi um grande teste para ele, para ver se seria possível. E depois veio o passo seguinte, que foi a turnê, e nós conseguimos, ele conseguiu, ele é um cara corajoso e muito forte, sempre lutando e lutando.

Então estou realmente feliz por tê-lo de volta ao palco. Como você disse, sem ele uma grande parte estaria faltando. Ele, eu e Magnus somos, de certa forma, o núcleo do Primal Fear. Dá para perceber claramente que uma grande parte estaria ausente se o Matt não estivesse aqui.

Onde o Rock Acontece: Vamos falar sobre o novo álbum. Eu realmente gostei de Domination porque ele tem o equilíbrio perfeito, todos os discos do Primal Fear têm esse poder e ótimas letras também. Havia um conceito definido antes da gravação do álbum?
Ralf Scheepers: Sim. A questão, Thiago, é que nós nunca encaramos as coisas pensando que temos que soar de uma determinada forma, porque ao longo dos anos desenvolvemos nosso próprio estilo. Tudo acontece naturalmente, não precisamos mudar quem somos ou fingir algo, porque amamos o que fazemos. Tudo o que escrevemos é algo de que realmente gostamos.

Sempre buscamos melhorar e evoluir, e é por isso que chegamos ao nível em que estamos hoje. Sempre que escrevemos, já existe uma certa qualidade, e isso é ótimo. O time de compositores se entende muito bem, nós sabemos como cada um gostaria que a banda soasse, em termos de melodia, ritmo, peso das guitarras, partes mais suaves, algo mais bombástico ou com atmosfera aqui e ali.

Não precisamos pensar que o próximo álbum precisa ser melhor que o anterior, não é assim que trabalhamos. Nós simplesmente escrevemos, e já temos um padrão muito bom. Tínhamos 25 músicas escritas e escolhemos as 15 melhores entre elas. Isso não significa que as outras 10 não fossem boas o suficiente, mas é sempre necessário definir uma linha de coerência para o álbum.

O Matt também tem um talento especial para decidir quais faixas entram no disco, e isso é ótimo, porque ao longo dos anos ganhamos tanta experiência que realmente podemos confiar em nós mesmos.

Onde o Rock Acontece: Eu realmente gostei da música “I Am Primal Fear”, ela é como uma declaração, certo?
Ralf Scheepers: Sim, é verdade.

Onde o Rock Acontece: E vocês tocaram ao vivo também, certo?
Ralf Scheepers: Sim, sim, sim. Foi um desafio. Foi um desafio, mas funcionou muito bem. Às vezes, quando estamos no estúdio ensaiando, não sabemos se a música vai funcionar em certos momentos, porque eu a gravei no estúdio. E claro, no estúdio você pode cantar verso por verso, refrão por refrão, mas ao vivo é uma história completamente diferente. E funcionou, então fiquei muito feliz.

E acabou acontecendo também que os fãs realmente gostaram da música. Nosso primeiro show foi justamente na data de lançamento do álbum, então as pessoas ainda não conheciam, por exemplo, a música Destroyer. Mas o riff estava lá, abrindo o show, e o público enlouqueceu, mesmo sem conhecer. Como eu disse antes, o álbum tinha acabado de sair. Então dá pra dizer que o material que escrevemos é pesado e realmente faz o público balançar a cabeça, e estamos muito felizes com isso.

Onde o Rock Acontece: Outra música que eu gostei muito do álbum é “Eden”. Queria que você falasse um pouco sobre essa faixa, sobre a letra e tudo mais.
Ralf Scheepers: Sim. As músicas foram escritas pelo Matt. Eu sabia que, quando ele passou por um momento difícil na vida, viriam letras muito fortes dessa fase, porque ele realmente estava enfrentando um período complicado.

Ele acabou escrevendo histórias em torno disso, e Eden é um exemplo disso. Nós também tivemos a participação especial da Melissa Bonny, que canta algumas harmonias e partes importantes no final da música. Não chega a ser exatamente um dueto, mas foi algo adicional que pedimos a ela, e ela aceitou participar.
O resultado ficou com uma atmosfera incrível. Nós adoramos essa música, e como você disse, ela tem algo especial. Todos esses elementos orquestrais e essa sonoridade bombástica e atmosférica são coisas que sempre gostamos de explorar.

Onde o Rock Acontece: Vocês vêm ao Brasil no próximo ano para tocar no Bangers Open Air. Que lembranças você tem de tocar em festivais por aqui?
Ralf Scheepers: Sim, o Bangers Open Air já está confirmado, e tudo ao redor ainda está sendo negociado pela nossa equipe de agenciamento e pelos nossos parceiros no Brasil e na América do Sul. Devem surgir mais datas em outros países também.

Neste momento, estamos analisando uma lista de cidades e países junto com a agência, e em breve vamos decidir onde continuar a turnê, seja antes ou depois do Bangers. A ideia é montar alguns shows em volta desse festival.

Onde o Rock Acontece: E qual é a diferença que você percebe entre o público do Brasil e da América do Sul e o público da Europa?
Ralf Scheepers: Eu diria que os fãs da América do Sul, especialmente do Brasil, são muito mais participativos. Eles cantam todas as letras, são extremamente barulhentos e cheios de energia. E isso é algo que amamos. É uma experiência completamente diferente. Mesmo aqui na Alemanha, durante esta turnê, tivemos um pouco disso, mas o público sul-americano tem uma intensidade única.

Onde o Rock Acontece: Eu acompanho sua carreira desde a época do Gamma Ray, e sua voz continua incrível. Você passou por fases em que usava mais notas altas ou mais potência. Como você faz para manter sua voz tão bem preservada nessa fase da vida?
Ralf Scheepers: Acho que mencionei antes, mas fiquei muito feliz em perceber que, aos 60 anos, minha voz continua firme. Eu tenho uma condição autoimune chamada Hashimoto, que afeta a tireoide. No meu caso, ela praticamente desapareceu, e talvez isso até tenha ajudado de alguma forma. Sempre tive sorte em ter uma voz duradoura, mas agora sinto que tenho ainda mais resistência. Antes, depois de dez shows em uma turnê, começava a ficar difícil. Hoje, consigo fazer 21 apresentações seguidas sem problemas e bato na madeira para continuar assim.

Sou também professor de canto, e faço exatamente os exercícios que ensino aos meus alunos, focados em alongamento e controle. Talvez o envelhecimento traga até alguma vantagem, já que o tecido das cordas vocais muda e pode se tornar mais estável. Estou muito feliz por conseguir passar por todas as turnês sem dificuldades.

Onde o Rock Acontece: Gosto de falar sobre vozes no heavy metal, porque sempre digo que, quando uma banda troca de vocalista e baterista, isso muda toda a identidade. Muitos vocalistas enfrentam dificuldades ao longo da carreira. Você sempre foi fã do Judas Priest, e o Rob Halford, com 74 anos, ainda canta muito bem. O que você acha que é necessário para chegar a esse nível?
Ralf Scheepers: Sou fã do Judas Priest desde os anos 80, e continuo tendo muito respeito por eles. Não sou mais aquele “fanboy” de antes, mas entendo o que você quer dizer sobre a voz. O Rob passou por um período difícil por volta dos 60 anos, teve problemas vocais, mas agora voltou em uma forma incrível. Eu assisti ao show em Stuttgart e fiquei impressionado. O que ele faz aos 74 anos é simplesmente extraordinário. Tenho enorme respeito por ele, ainda é um dos melhores do mundo, e continuo admirando o que ele faz.

Onde o Rock Acontece: O primeiro álbum do Primal Fear foi lançado há mais de 25 anos. Vocês pensam em comemorar esse marco com um show especial ou talvez um álbum ao vivo?
Ralf Scheepers: Sim, já se passaram 27 anos, o primeiro disco saiu em 1998. Estamos planejando algo especial para celebrar os 30 anos do Primal Fear, mas ainda é um projeto em desenvolvimento. Não pensamos em tocar um álbum inteiro, porque temos muitas músicas boas de diferentes fases da banda. Montamos o setlist tentando agradar a todos e, antes de tudo, a nós mesmos. Sabemos que há muitos pedidos dos fãs, e sempre tentamos incluir o máximo possível. Mas, claro, não dá para tocar 40 músicas por show, o que torna tudo um pouco mais difícil. Por isso, acabamos sempre fazendo um repertório “melhores momentos” e ainda não um álbum completo.

Onde o Rock Acontece: Hoje vemos muitas bandas novas surgindo no metal, mas poucas conseguem alcançar o status de grupos clássicos como o Primal Fear. Como você vê o futuro do heavy metal?
Ralf Scheepers: O heavy metal sempre foi um desafio, Thiago. Nos anos 80 já era difícil competir, e continua sendo. Há muita concorrência, mas também bandas novas muito boas. A única coisa que eu comento é sobre a estética, hoje em dia, muitos grupos parecem saídos da Idade Média, mas isso é apenas uma questão de gosto. Para mim, o mais importante ainda é a música, não o figurino ou a aparência.

No fim das contas, a qualidade sempre prevalece, e há muitos músicos excelentes surgindo agora. O metal continua com um underground saudável, cheio de fãs dedicados, e isso é o que mantém o gênero vivo. Lembro que, nos anos 90, com o auge do grunge e do Nirvana, diziam que o heavy metal estava morto. Mas sempre existiu aquele público fiel que continuou ouvindo, comprando álbuns e indo aos shows. Esses fãs são verdadeiros, eles apoiam de verdade, e é graças a eles que a música continua viva. Sou muito grato por isso.

Onde o Rock Acontece: Durante a pandemia, você gravou um show ao vivo com o Gamma Ray. Há alguma possibilidade de uma turnê com eles novamente?
Ralf Scheepers: Foi ótimo reencontrar o Kai Hansen e o Dirk, temos uma ótima relação. Sempre que nos encontramos, é um prazer. Se tivermos oportunidade de tocar juntos novamente, seria maravilhoso. Mas, no momento, o Kai está totalmente dedicado ao Helloween e eu ao Primal Fear. Nunca digo “nunca”, porque seria algo muito bom para os fãs, mas, por enquanto, cada um está focado em sua banda.

Onde o Rock Acontece: Qual foi o álbum mais desafiador para você gravar nos tempos de Gamma Ray?
Ralf Scheepers: Acho que o terceiro álbum foi um dos mais difíceis. Mas, no fim, sempre pegávamos o melhor de cada disco. Músicas como Heading for Tomorrow, Sigh No More e The Spirit. As baladas, como The Silence, eram as mais desafiadoras, porque exigiam precisão e controle total da afinação. É muito mais difícil cantar uma música lenta e emocional do que uma faixa rápida de metal, onde pequenas imperfeições passam despercebidas.

Onde o Rock Acontece: Para encerrar, qual você acha que é o legado do Primal Fear para a comunidade do heavy metal?
Ralf Scheepers: Acho que o legado é algo que os fãs constroem por nós. Não pensamos muito nisso, porque estamos sempre olhando para frente, com fome de fazer mais. Mas sabemos que deixamos nossa marca com os álbuns e isso é maravilhoso. São os fãs que fazem o legado acontecer, e somos muito gratos por isso. Às vezes, só percebemos o que conquistamos quando voltamos de uma turnê e paramos para refletir. Aí pensamos: “Uau, já fizemos muita coisa boa na nossa carreira.” E queremos continuar assim, sempre olhando adiante, fazendo música enquanto ainda pudermos.

Onde o Rock Acontece: Obrigado pela entrevista Ralf, mande uma mensagem final para os fãs brasileiros!
Ralf Scheepers: Hola amigos! Estamos muito ansiosos para voltar ao Brasil no próximo ano. A banda está em plena forma, com muita energia e um som poderoso. Estamos prontos para fazer grandes shows e mal podemos esperar para ver vocês. Vai ser um prazer dividir esses momentos com o público brasileiro. Nos vemos lá!

Primal Fear Domination

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