Entrevista realizada por Alexandre Afonso

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O músico Benjaminn acaba de lançar uma nova etapa em sua carreira solo com o álbum Leve, um trabalho que nasce da busca por calma, poesia e reconexão em meio ao caos contemporâneo. Dentro desse projeto, a canção “Clara Luz” se destaca como um blues leve e refinado, carregado de influências e significados. Em conversa com o Onde o Rock Acontece, o artista fala sobre o processo criativo, suas experiências em bandas anteriores e a importância da independência artística.
Onde o Rock Acontece: “Clara Luz” chega como um dos destaques do álbum Leve. O que essa música representa dentro da sua trajetória e desse novo trabalho?
Benjaminn: “Clara Luz” é um blues e eu sempre fui apaixonado por blues, ainda mais pelo blues do Jimi Hendrix, que foi uma grande influência na minha vida, principalmente na guitarra. Gosto de todos os guitarristas de blues que estão na cena hoje em dia e dos que vieram antes. Então, por que não ter um blues nesse novo trabalho que remete à leveza?
“Clara Luz” é leve, refinada e simples. A influência de Hendrix deve ser percebida por alguns, embora a estrutura harmônica e melódica seja diferente, sem relação direta com o blues tradicional. A leveza da composição, do andamento rítmico/melódico e a mensagem da letra – em que o protagonista orienta alguém confuso em seu caminho a encontrar sua própria luz – tornam a canção especial. Muitos de nós caminhamos apenas pelas sombras da vida, sem perceber que a clareza já está dentro de nós. É essa “Clara Luz” que precisamos resgatar.
Onde o Rock Acontece: O álbum Leve nasceu do desejo de desacelerar e reconectar com o essencial. Como esse conceito foi construído ao longo da criação do disco?
Benjaminn: Na minha trajetória como músico acompanhante de vários artistas, sempre gostei de compor. Muitas dessas músicas surgiram de forma espontânea, em momentos de intimidade e descontração, sem intenção de carreira solo. Elas eram reflexos da minha busca pessoal por paz – composições naturalmente leves, em estilos variados.
Quando decidi criar o álbum Leve, senti a necessidade de ir na contramão do mundo moderno, globalizado, veloz, estressante e polarizado. Resgatei músicas antigas que traduziam essa calma e somei a elas composições recentes, inspiradas pela vida mais próxima da natureza e distante dos grandes centros urbanos. Assim nasceu o repertório: um manifesto em favor da leveza e contra tudo que é pesado e ruidoso.
Onde o Rock Acontece: Sua carreira já passou por projetos marcantes, como Mar Revolto e Alquímea. De que forma essas experiências influenciaram sua identidade atual como artista solo?
Benjaminn: A vida é um aprendizado constante. Sempre me expressei musicalmente através de bandas, e isso forma uma identidade coletiva, na qual você contribui e, ao mesmo tempo, absorve dos outros. O Mar Revolto foi uma escola: aprendizado na guitarra, vivência afetiva em grupo e ousadia criativa – foi o quinto disco independente lançado no Brasil, algo audacioso para a época.
Na Alquímea, com um conceito mais pessoal, desenvolvi mensagens voltadas à evolução da consciência, aos questionamentos sobre o futuro da humanidade e à questão ambiental. Cada etapa trouxe aprendizados que me conduziram até aqui. Leve é a síntese dessa evolução: um projeto individual onde poesia, melodia, guitarras mais expressivas e econômicas se unem à leveza do canto. É a fase atual – outras certamente virão.
Onde o Rock Acontece: O clipe de “Clara Luz” está em fase final de produção. O que o público pode esperar desse registro audiovisual?
Benjaminn: Simplicidade. O canto acompanhado pela banda, em que a mensagem é reforçada pela guitarra, pelo solo e pela leveza blues.

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