ENTREVISTA: Ben Christo fala sobre o Diamond Black, seu projeto mais pessoal após anos no The Sisters of Mercy

22/10/2025 // Home  »  DestaqueEntrevistasLançamentosNotícias   »   ENTREVISTA: Ben Christo fala sobre o Diamond Black, seu projeto mais pessoal após anos no The Sisters of Mercy

Entrevista por Thiago Rahal Mauro

Diamond Black

Diamond Black

O guitarrista e compositor britânico Ben Christo, conhecido por seu trabalho com o The Sisters of Mercy, mergulha profundamente em suas emoções e vivências pessoais no novo EP do Diamond Black, intitulado “Dark Anthems”. Em uma conversa franca, ele fala sobre o processo de criação, as colaborações com artistas renomados e as cicatrizes que inspiraram suas composições. O resultado é uma obra densa, sombria e, ao mesmo tempo, repleta de esperança.

Com uma sonoridade que combina o peso do rock moderno com a melancolia do gótico, Dark Anthems representa um momento de transição na carreira de Ben. O músico revisita experiências pessoais ligadas à dependência, solidão e superação, transformando dor em arte. Cada faixa carrega uma narrativa própria, refletindo o amadurecimento emocional de um artista que aprendeu a lidar com suas sombras de forma criativa e libertadora.

A conversa também revela o lado visual e conceitual da banda, que trata imagem e som como partes inseparáveis da mesma experiência. Ben fala sobre parcerias importantes, como Chris Harms (Lord of the Lost) e Chloe Ozwell (Sister Shotgun), comenta o impacto das redes sociais e explica como mantém uma relação próxima com os fãs através de plataformas digitais. Em Dark Anthems, o músico transforma vulnerabilidade em força e cria uma obra que ressoa tanto no coração quanto na mente de quem a escuta.

Confira a entrevista:

Onde o Rock Acontece: Ben, você chamou “Dark Anthems” de seu trabalho mais pessoal e desprotegido até agora. Quando você olha para trás no processo criativo, que jornada emocional ou psicológica você viveu enquanto escrevia e gravava essas músicas? Fazer esse EP foi algo catártico para você pessoalmente?

Ben Christo: Foi extremamente catártico. As músicas In Venom e Fall Into the Silence documentam explicitamente minhas experiências com alcoolismo, dependência, auto sabotagem e isolamento. Through the Misery fala sobre o impacto negativo das redes sociais, sobre como elas podem nos fazer sentir perdidos, inferiores e desesperados, mas também traz uma mensagem positiva: todos nós temos o poder dentro de nós para superar essas dificuldades.

Onde o Rock Acontece: O disco aborda temas pesados como dependência, ansiedade e recuperação. Essas músicas nasceram de suas próprias experiências de vida, ou servem mais como uma mensagem universal de esperança e resiliência com a qual muitas pessoas possam se identificar?

Ben Christo: Vieram das minhas próprias experiências, tanto como alguém que passou pela dependência quanto como alguém emocionalmente próximo de pessoas dependentes. Consegui observar tudo de dentro e de fora. Ao mesmo tempo, espero que as pessoas encontrem empoderamento e inspiração nas mensagens de esperança, independentemente dos desafios que enfrentam.

Onde o Rock Acontece: Eu realmente gostei de “Fall Into the Silence”. Ela tem uma energia incrível e um refrão muito marcante. Você pode contar mais sobre como essa música surgiu e o que inspirou suas letras e atmosfera?

Ben Christo: A música trata do auto isolamento que acompanha a dependência. Eu queria transmitir a ideia de um mundo fragmentado e embaçado, o que tentei expressar por meio de frases curtas e fortes: “hours missing / thread is ripping / desperate cry / crashing lights”. Também quis mostrar a dor de longo prazo e a natureza cíclica da dependência, com versos como “decades of fiction / a soul kept imprisoned”.

Onde o Rock Acontece: “A Secret” é um dos destaques do EP e nunca havia sido lançado antes. O que faz essa faixa se destacar para você e por que decidiu lançá-la agora?

Ben Christo: Parecia o momento certo. Por ser uma balada, ela funciona como uma pausa em um EP mais pesado. Diferente das outras faixas, que falam de superação e força pessoal, essa é uma história de amor perdido. Fala sobre o sofrimento de ainda amar alguém que já seguiu em frente, e sobre o impacto devastador de ter de ver essa pessoa com outro, dia após dia.

Onde o Rock Acontece: Você contou com convidados incríveis neste EP, como Chris Harms do Lord of the Lost e Chloe Ozwell do Sister Shotgun. Como essas colaborações começaram e de que forma cada artista influenciou o clima e o som das músicas?

Ben Christo: Conheci Chris em um festival em 2010 e nos demos muito bem. Em 2021, ele me convidou para escrever e cantar no álbum Judas do Lord of the Lost, nas faixas Argent e Still Life to Die For. Depois disso, foi natural trazê-lo para In Venom. A voz dele, sombria e envolvente, deu uma nova profundidade à música.

Com Chloe, a ideia inicial era que ela fizesse apenas backing vocals, mas quando entramos no estúdio, ficamos impressionados com sua presença e talento. Decidimos ampliar o papel dela. No clipe de Fall Into the Silence, sua atuação é tão intensa quanto sua voz.

Onde o Rock Acontece: Há também um remix feito pelo The Birthday Massacre, e vocês farão turnê juntos no Reino Unido. Que tipo de conexão criativa existe entre vocês, e o que os fãs podem esperar desses shows?

Ben Christo: Sou fã do The Birthday Massacre desde 2007. Quando entrei no The Sisters of Mercy, pude entrar em contato com eles, já que eram fãs da banda desde jovens. Criamos uma boa relação e convidei a outra banda de Brett, A Primitive Evolution, para abrir várias datas da turnê norte-americana do The Sisters em 2023. Isso fortaleceu ainda mais nossa amizade. Estou muito feliz com a mixagem que Michael fez para Fall Into the Silence.

Onde o Rock Acontece: Você passou anos tocando com o The Sisters of Mercy, uma das bandas mais influentes do rock gótico. Qual a maior diferença entre trabalhar com o Diamond Black e com o The Sisters? Ter seu próprio projeto oferece um tipo diferente de liberdade criativa?

Ben Christo: Com o Diamond Black posso me expressar através das letras, algo que sempre amei desde criança. No The Sisters, apenas Andrew escreve as letras, e ele tem uma forma única e brilhante de combinar o vívido e o enigmático.

Onde o Rock Acontece: A identidade visual do Diamond Black sempre foi marcante. Qual a importância do aspecto visual em sua arte e como o trabalho de Adam Hart ajuda a reforçar as histórias por trás de cada faixa?

Ben Christo: A música e a imagem do Diamond Black são inseparáveis. Adam é um mestre em criar visuais. Para cada música, ele me pede que explique o significado das letras em detalhes e, a partir disso, cria uma imagem simbólica. Para o EP, ele desenvolveu runas específicas para cada faixa, todas cheias de significados que representam os temas centrais.

Diamond Black

Onde o Rock Acontece: Sua música tem um tom cinematográfico e emocional. Como você pretende traduzir essa atmosfera para o palco? Os shows terão banda completa? Que tipo de experiência espera proporcionar ao público?

Ben Christo: Além de ser um show de rock cheio de energia, criamos uma atmosfera contínua com trilhas de sintetizadores sombrios que tocam desde a entrada até o fim do show. Assim, o clima cinematográfico nunca se perde. Em algumas casas, usamos projeções criadas por Adam, sincronizadas com as músicas. Também conversamos com o público sobre o significado das canções, e é comum as pessoas virem falar depois sobre como se identificaram com as mensagens.

Onde o Rock Acontece: Você construiu uma conexão próxima com os fãs através do podcast, do Discord e de outras plataformas. Como enxerga esse tipo de engajamento hoje, especialmente num momento em que tantas pessoas buscam sentido e comunidade por meio da música?

Ben Christo: Acho essencial. Isso nos ajudou a criar uma comunidade unida e apaixonada ao redor do mundo. É gratificante saber que as pessoas veem o Discord e o podcast como espaços seguros para se conectar com a banda e entre si. Todos nós nos sentimos isolados às vezes, e esse tipo de interação ajuda a criar laços e pertencimento.

Onde o Rock Acontece: No coração de “Dark Anthems” existe a ideia de transformar dor em força. Quando o público chega ao fim do EP, o que você espera que ele sinta?

Ben Christo: Espero que sintam que viveram uma jornada emocional, passando por momentos de desespero até alcançar um espaço de inspiração e empoderamento.

Onde o Rock Acontece: O que vem a seguir para o Diamond Black após este lançamento e a turnê com o The Birthday Massacre? Podemos esperar um álbum completo ou novas colaborações?

Ben Christo: Já terminamos de gravar o álbum completo, que está em fase de mixagem. É uma jornada emocional e introspectiva, com dez faixas de hard rock intenso e melódico. Uma delas, Where the Night Crawls, marca um ponto de virada para mim, pois retrata a noite em que atingi o fundo do poço com o álcool e o momento em que decidi parar de beber para sempre.

Diamond Black Ep Darkanthems Front





TOP