Discos essenciais da carreira solo de Ozzy Osbourne

22/07/2025 // Home  »  DestaqueNotícias   »   Discos essenciais da carreira solo de Ozzy Osbourne

Por Thiago Rahal Mauro

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Após sua saída do Black Sabbath em 1979, poucos acreditavam que Ozzy Osbourne conseguiria se reerguer. Afundado em vícios e emocionalmente abalado, ele foi resgatado por Sharon Arden, que se tornaria sua esposa e empresária, e o incentivou a montar uma nova banda. O que veio a seguir foi uma das reviravoltas mais emblemáticas da história do rock: uma carreira solo brilhante, com discos que não só consolidaram Ozzy como ícone do heavy metal, mas também expandiram seu alcance para novas gerações e estilos ao longo de décadas.

Com parcerias fundamentais — como Randy Rhoads, Zakk Wylde e Gus G — e uma capacidade única de equilibrar peso, melodia, teatralidade e emoção, Ozzy construiu uma discografia diversa e poderosa. A seguir, reunimos os nove álbuns mais essenciais dessa jornada solo, com destaques para suas faixas mais emblemáticas, histórias de bastidores e o impacto cultural de cada lançamento.

Blizzard of Ozz (1980) marcou o renascimento de Ozzy após ser dispensado do Black Sabbath. Com a entrada do guitarrista Randy Rhoads, o álbum mesclou peso e musicalidade refinada, criando um novo patamar no metal. Faixas como “Crazy Train” e “Mr. Crowley” se tornaram instantaneamente clássicas, unindo riffs marcantes, solos virtuosos e letras que flertavam com loucura e ocultismo. O disco começa com “I Don’t Know”, um verdadeiro manifesto de renascimento.

A música “Suicide Solution” causou controvérsia por supostamente incentivar o suicídio, mas Ozzy explicou que era uma crítica ao alcoolismo. “Revelation (Mother Earth)” mostra o lado mais épico e progressivo do álbum, enquanto “Steal Away (The Night)” encerra com energia. A química entre Ozzy e Randy Rhoads foi tão intensa que o disco redefiniu o que se esperava de um artista solo no metal. Blizzard of Ozz é até hoje considerado um dos maiores debuts da história do gênero.

Diary of a Madman (1981) veio no embalo do sucesso do álbum anterior, elevando ainda mais a complexidade musical. Randy Rhoads brilha com composições mais sofisticadas, como em “Over the Mountain” e “Flying High Again”, que se tornaram faixas obrigatórias nos shows. A produção é mais sombria e teatral, refletindo o amadurecimento de Ozzy como intérprete e letrista.

O ponto alto é a faixa-título “Diary of a Madman”, uma peça quase progressiva com arranjos orquestrais e atmosfera de horror. Infelizmente, este foi o último álbum com Rhoads, que morreria meses depois em um acidente aéreo. O disco, assim, carrega um peso emocional adicional — uma despedida involuntária de um talento genial que marcou para sempre o som de Ozzy.

Bark at the Moon (1983) foi o primeiro álbum após a perda de Randy Rhoads, agora com o guitarrista Jake E. Lee assumindo o posto. A faixa-título trouxe uma nova energia, com um riff cortante e letra inspirada em filmes de terror. A performance teatral de Ozzy e o videoclipe icônico consolidaram o álbum como um marco da fase MTV do metal.

Músicas como “Rock ’n’ Roll Rebel” e “So Tired” mostraram a versatilidade do novo guitarrista e uma abertura maior a arranjos melódicos. Mesmo com críticas divididas na época, Bark at the Moon envelheceu bem e é lembrado como uma prova de que Ozzy podia se reinventar mesmo após grandes perdas. A capa, com Ozzy como um lobisomem, virou imagem clássica dos anos 1980.

The Ultimate Sin (1986) apostou em uma sonoridade mais polida, com produção típica da época e forte presença de teclados. Ainda com Jake E. Lee nas guitarras, o álbum trouxe hits como “Shot in the Dark”, um dos maiores sucessos comerciais de Ozzy, e “Lightning Strikes”. As letras falam de decadência, arrependimento e poder, com Ozzy mais teatral do que nunca.

Apesar de ser o menos citado entre os fãs hardcore, The Ultimate Sin foi um sucesso de vendas e se destaca pelo visual glam-metal adotado por Ozzy. A turnê que seguiu o lançamento foi uma das mais grandiosas de sua carreira até então. Curiosamente, esse é um dos discos menos revisitados por Ozzy ao vivo — o que só aumentou o interesse dos fãs por ele ao longo dos anos.

No More Tears (1991) é considerado por muitos o melhor disco da fase Zakk Wylde. Com produção cristalina e composições maduras, o álbum trouxe faixas longas e emotivas como “No More Tears”, com seu groove marcante e atmosfera épica. Outro destaque é “Mama, I’m Coming Home”, balada melancólica dedicada a Sharon Osbourne, que virou sucesso global.

“Mr. Tinkertrain” e “Desire” mantêm o peso e a agressividade, enquanto “Road to Nowhere” mostra um Ozzy introspectivo e quase filosófico. Esse álbum representou um novo auge comercial e artístico, mesmo em meio à ascensão do grunge. Com ele, Ozzy provou que ainda era um dos nomes mais relevantes do rock mundial.

Ozzmosis (1995) apresentou um Ozzy mais sombrio e introspectivo. O disco tem uma atmosfera carregada, reflexiva, com letras que abordam depressão, solidão e existencialismo. A faixa “Perry Mason” se destaca pela potência do riff e pelo refrão marcante, enquanto “I Just Want You” é uma das baladas mais sinceras e emocionais de sua carreira.

Produzido por Michael Beinhorn e com participações de Geezer Butler e Rick Wakeman, o álbum equilibra o peso do metal com um toque mais maduro. “See You on the Other Side” é outro ponto alto, misturando tristeza e esperança. Ozzmosis mostrou um Ozzy vulnerável, mas ainda criativamente afiado — um disco muitas vezes subestimado, mas essencial em sua discografia.

Scream (2010) foi lançado após um hiato de cinco anos e apresentou Gus G na guitarra, substituindo Zakk Wylde. O álbum traz um Ozzy ainda cheio de energia, experimentando com elementos modernos de produção. “Let Me Hear You Scream” é o carro-chefe, com pegada agressiva e refrão pronto para arenas.

Faixas como “Life Won’t Wait” e “Time” mostram um lado mais emocional e atmosférico. Embora tenha dividido opiniões na época, Scream provou que Ozzy ainda podia evoluir e acompanhar os novos tempos do metal, mantendo sua identidade mesmo com mudanças na formação e no som.

Ordinary Man (2020) chegou como uma surpresa após sérios problemas de saúde que quase encerraram sua carreira. Com produção de Andrew Watt e participações de Elton John, Slash e membros do Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers, o disco é ao mesmo tempo melancólico e poderoso. A faixa-título, em dueto com Elton, é quase uma carta de despedida, emocionando fãs pelo mundo.

Músicas como “Under the Graveyard” e “Straight to Hell” equilibram o peso moderno com confissões existenciais. Gravado em apenas algumas semanas, o álbum mostra um Ozzy vulnerável, mas ainda criativamente vivo. Foi amplamente aclamado por mostrar sua resiliência artística em um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Patient Number 9 (2022) reafirmou a vitalidade criativa de Ozzy mesmo após tantos desafios de saúde. O álbum é uma superprodução que reúne lendas como Jeff Beck, Eric Clapton, Tony Iommi e Zakk Wylde. A faixa-título, com Jeff Beck, combina peso e psicodelia, enquanto “Degradation Rules” traz a primeira colaboração de Ozzy com Iommi desde os tempos de Sabbath.

É um álbum que oscila entre o sombrio e o triunfante, com Ozzy abraçando sua imagem de sobrevivente. “Immortal” e “Nothing Feels Right” são destaques emocionais, enquanto “Evil Shuffle” e “Parasite” mantêm a vibração clássica. Patient Number 9 é, ao mesmo tempo, uma celebração e uma despedida em potencial — um registro maduro, comovente e digno do Príncipe das Trevas.

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