Texto por Leandro Nogueira Coppi

Foto: Jamesbond Raul — CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
Quatro décadas depois de conquistar o mundo, Take on Me voltou a colocar o A-Ha no centro de uma discussão que nunca foi totalmente resolvida. O marco do aniversário da canção serviu de gatilho para que Morten Harket tornasse pública sua insatisfação com a forma como os direitos autorais do maior hit do grupo foram distribuídos desde o início.
Segundo o vocalista, sua participação financeira corresponde a pouco mais de um sexto dos ganhos gerados pela música, enquanto a maior fatia permanece com Paul Waaktaar-Savoy e Magne Furuholmen. Para Harket, essa divisão não reflete adequadamente sua contribuição artística, especialmente no trecho mais reconhecível da canção, o refrão, onde ele afirma ter feito intervenções decisivas que moldaram o resultado final.
A leitura dos dois colegas é diferente. Waaktaar-Savoy e Furuholmen defendem que a estrutura melódica e a composição já estavam definidas antes da entrada do vocalista, atribuindo a ele exclusivamente o papel de intérprete. Essa divergência de versões expõe uma linha tênue entre composição e interpretação, especialmente em uma música cuja identidade está profundamente ligada à voz de Harket.
O episódio também resgata um acordo que nunca saiu do papel. Ainda nos anos 1980, Paul teria sugerido uma redistribuição mais equilibrada dos ganhos futuros, condicionada a um compromisso de produção contínua de novas músicas ao longo de cinco anos. A proposta foi recusada na época e hoje reaparece como um ponto-chave na narrativa sobre escolhas, consequências e ressentimentos que atravessam a trajetória do grupo.
Assista ao videoclipe de Take On Me: https://youtu.be/djV11Xbc914?si=OGDmzAxutO2fhTf5









