5 Discos para entender Hermeto Paschoal

16/09/2025 // Home  »  ArtigosDestaqueNotícias   »   5 Discos para entender Hermeto Paschoal

Texto por Caio Maranho Maia

Hermeto Pascoal

No dia 13 de setembro de 2025, a música brasileira perdeu uma de suas maiores vozes criativas: Hermeto Pascoal faleceu aos 89 anos, no Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada por uma liberdade sonora impressionante — do forró ao jazz, da MPB ao experimentalismo mais audacioso —, com uma curiosidade quase infantil por tudo que pode gerar som. Ao longo de décadas, Hermeto não apenas compôs melodias ou harmonias: ele inventou possibilidades, reinventou instrumentos, inventou sons onde poucos viam matéria-prima.

Mergulhar na discografia de Hermeto Pascoal é, portanto, mais do que entender um músico genial: é prestar homenagem a quem transformou o dia-a-dia em música, às águas, aos objetos mais singelos, ao silenciar e ao ruído, revelando a beleza invisível do som. Seja para quem já conhece sua obra, seja para quem está iniciando, esta seleção de discos busca guiar o ouvinte por uma viagem sonora, que parte do Brasil raiz e vai até os limites da experimentação — para que possamos medir, ainda que parcialmente, a imensidão do legado que Hermeto nos deixou.

1 – Hermeto Pascoal e Sua Visão Original do Forró (2018)

Neste álbum, Hermeto amplia o leque da música regional brasileira e apresenta a sua própria visão do forró, misturando-o com ritmos amazónicos, xaxado e frevo. O resultado é uma miscigenação incomparável, sublime e irresistível para dançar, capaz de transmitir alegria e alto astral. É uma obra de fácil apreciação, acessível a ouvintes de todas as idades.
Destaques: Forró Pela Manhã, Pantanal Brasileiro, Uriama, Agora Eu Quero Instrumental e Isto é Brasil.

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2 – Quarteto Novo (1967)

Fazendo parte da banda de apoio de Geraldo Vandré, o Quarteto Novo — formado por Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte, Airto Moreira e Théo de Barros — lançou o seu único disco em 1967. Trata-se de um álbum imprescindível da música instrumental brasileira. Fortemente inspirado no baião, apresenta canções alegres e atemporais como O Ovo, Canto Geral e Algodão (de Luiz Gonzaga e Zé Dantas). Em edições especiais, inclui também Ponteio, versão da música de Edu Lobo vencedora do Festival de Música Popular Brasileira em 1966, onde o grupo acompanhou o compositor. Um disco obrigatório do início ao fim.

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3 – Pra Você, Ilza (2024)

Último disco lançado por Hermeto, Pra Você, Ilza é uma homenagem à sua esposa Ilza Pascoal, falecida em 2000, com quem o músico viveu quase 50 anos e teve seis filhos. O álbum funciona como testamento e síntese de todos os estilos que marcaram a sua carreira e a sua busca pela música universal. Vencedor de um Grammy, o disco é mais complexo do que os anteriores, mas ainda oferece momentos de fácil assimilação.
Destaques: Conversação, Recordações de Recife e a introspectiva Inspirando Fundo.

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4 – A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973)

Segundo álbum da carreira a solo, é a base do que pode ser considerado o conceito de “música universal” tão defendido por Hermeto. Mesmo ao reinterpretar clássicos do cancioneiro brasileiro, como Carinhoso e Asa Branca, ele desconstrói e reinventa cada peça de forma inconfundível. O disco também inclui Bebê, a faixa mais conhecida de sua carreira, que marcou gerações — de trilhas de programas da Rede Globo até influenciar metaleiros do mundo todo, como se ouve no trecho instrumental de Carolina IV, da banda Angra.

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5 – Slaves Mass (1977)

Considerada a magnum opus de Hermeto, esta obra-prima é o auge da sua criatividade e experimentação. Um dos discos mais importantes da música instrumental mundial, ultrapassa todas as convenções sonoras e apresenta harmonias únicas em toda a sua duração. É também o álbum em que Hermeto mais ousou, exigindo múltiplas audições até que se alcance um entendimento básico da sua riqueza musical. A sua escuta completa é, sem dúvida, obrigatória.

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Conclusão

Estes cinco discos representam apenas uma pequena amostra da genialidade de Hermeto Pascoal. Um mergulho mais profundo na sua obra revela muitas outras pérolas, que podem ser descobertas e apreciadas conforme a preferência de cada ouvinte. Mais do que um músico, Hermeto foi um verdadeiro alquimista dos sons — e ouvir a sua música é a melhor forma de absorver o legado imenso que o “bruxo” deixou à eternidade.

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